Lacerda diz não crer em ligação de Dantas com grampo

Diretor afastado da Abin diz aguardar resultado das investigações que apura a autoria de escutas ilegais

LEONÊNCIO NOSSA, Agencia Estado

04 de setembro de 2008 | 13h03

O diretor afastado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, disse nesta quinta-feira, 4,  não acreditar que o sócio-fundador do Grupo Opportunity, Daniel Dantas, esteja por trás das escutas clandestinas no Supremo Tribunal Federal (STF). Após descer o elevador do Palácio do Planalto, ele ressaltou que pretende comparecer à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Grampo, na Câmara, para prestar depoimento sobre suspeitas de interceptações clandestinas. "Eu irei à CPI quantas vezes me chamarem", afirmou. "No que pudermos colaborar, vamos colaborar."   Veja Também: Entenda as acusações de envolvimento da Abin com grampos  Blog:Veja as principais declarações do diretor afastado da Abin na CPI   Lula manda investigar compra de 'maleta de grampo' na Abin PF está empenhada em saber quem grampeou STF, diz Tarso Governo vai avaliar se equipamentos da Abin são para escutas PSDB quer CPI dos grampos no Senado; Garibaldi nega necessidade Crise acirra disputa entre Polícia Federal e Abin Em rápida entrevista, Lacerda disse que aguarda o resultado das investigações da Polícia Federal , que apura a autoria das escutas nos telefones de autoridades como o presidente do STF, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). "A Polícia Federal tem todas as condições de esclarecer os fatos, é o que a gente espera", disse. Quando questionado sobre o suposto envolvimento de Daniel Dantas nas escutas, como cogitaram setores do governo e da Abin, Lacerda disse: "Não acredito". Lacerda, embora afastado temporariamente da Abin, está vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional, órgão que funciona no Palácio. O gabinete é chefiado pelo ministro Jorge Felix. Ao ser indagado se espera retornar ao comando da Abin daqui a dois meses, ao final da sindicância, Lacerda respondeu apenas que está confiante de que o fato será esclarecido. Ele salientou estar tranqüilo em relação às denúncias e à repercussão política das suspeitas de grampos. "Estou com 62 anos, já não tenho motivos para ficar chateado; essas coisas acontecem", disse. Lacerda confirmou ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes do afastamento da Abin. "Ele (Lula) disse apenas que espera que o fato seja esclarecido completamente", completou. Na última segunda-feira, o Planalto divulgou nota ressaltando que Lula afastou temporariamente o diretor da Abin para dar "transparência" às investigações da Polícia Federal.

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