Lacerda afirma à PF que analisou dados de Dantas

Ex-diretor da Abin diz que apoio a Protógenes não era ''prioridade'' para agência

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2009 | 00h00

O delegado Paulo Lacerda, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), fez gestões por Protógenes Queiroz perante a cúpula da Polícia Federal a fim de obter apoio logístico para a Operação Satiagraha. Ele admitiu que "fez uma análise" de documentos reunidos por araponga da Abin na investigação contra o banqueiro Daniel Dantas.Em depoimento de 15 páginas no inquérito que investiga vazamento de dados secretos da operação, Lacerda declarou ter ido ao diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, para falar sobre "a possibilidade da melhoria das condições de trabalho" da equipe de Protógenes, mentor da Satiagraha.O relato de Lacerda à PF, instituição que dirigiu durante mais de 5 anos, ocorreu na segunda-feira. Ele contou que, em fevereiro de 2008, quando já dirigia a Abin, Protógenes lhe pediu "apoio de oficiais de inteligência". O delegado disse que "de pronto concordou, porque já era sua pretensão uma maior integração dos trabalhos da Abin com a PF".À CPI dos Grampos Lacerda informou sobre o engajamento de apenas "4 a 6" arapongas na Satiagraha. Na PF, ele disse que "esse era o conhecimento que tinha, somente depois é que tomou conhecimento da existência de outras equipes da Abin". A PF apurou que 84 agentes atuaram na Satiagraha.Ele afirmou que "esse apoio não constituía prioridade da Abin, a diretoria estava empenhada em várias outras questões, inclusive com frequentes reuniões com altas autoridades do governo que resultaram na edição de medidas provisórias e decretos pelo presidente da República".CHACALDetalhou a Operação Chacal da PF, que "constatou a participação em organização criminosa de 4 espiões estrangeiros, bem como de Daniel Dantas". Disse ter sido informado de que "seria Dantas quem contratava os espiões" e, "segundo lhe foi dito, ainda teriam sido espionadas autoridades do governo federal, entre as quais Cássio Casseb (ex-presidente do Banco do Brasil) e Luiz Gushiken (ex-ministro da Secretaria de Comunicação)".O ex-chefe da Abin declarou que "não acompanhava" o trabalho dos agentes da Abin no apoio à PF. Também disse que "em momento algum tomou conhecimento do teor de conversas monitoradas, não é verdadeira a afirmativa de que recebera pen drive contendo áudio objeto da Satiagraha". Afirmou que não conheceu o teor do relatório da operação.Mas admitiu que um oficial de inteligência da Abin, Márcio Seltz, que compôs a equipe de Protógenes, o procurou "para tirar dúvidas", alegando dificuldades para falar diretamente com Protógenes.O delegado disse que solicitou a Seltz "que trouxesse o que estava fazendo para que fizesse uma análise e o auxiliasse naquilo que fosse possível, dando a sua opinião". O araponga entregou-lhe "um calhamaço, cerca de 30 páginas". À PF, Lacerda declarou que "de fato deu uma examinada naquilo, tratava-se de resumos jornalísticos, informações sobre as pessoas envolvidas nas investigações, aspectos relacionados a antecedentes e situação nas quais já se envolveram e estatísticas de matérias jornalísticas favoráveis ou não".Ele contou que "fez a análise e deu sua opinião a Seltz, tendo solicitado que quando tivesse oportunidade falasse para o dr. Queiroz que aquilo só teria importância para a investigação se ele tivesse elementos para comprovar que algum daqueles jornalistas tinha recebido dinheiro para produzir matéria".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.