Laboratório Merck se diz pressionado pelo governo

O diretor de Assuntos Corporativos do laboratório farmacêutico Merck Sharp & Dohme, Marcos Levy, está incomodado com a pressão que diz sofrer do Ministério da Saúde. "O que eu não entendo é porque continuo sendo ameaçado pelo governo", disse, na noite de ontem, à Agência Estado. As pressões a que se refere são as declarações do ministro José Serra e outros integrantes do Ministério, que pedem a redução do preço de dois medicamentos importados (um deles, da Merck) que compõem o coquetel distribuído pelo governo aos portadores do vírus da Aids.Há quase oito meses a Merck está negociando com o governo, através do laboratório do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Far-Manguinhos), uma alternativa para a redução do preço da droga patenteada pela empresa. Segundo o diretor do laboratório, o medicamento já está sendo vendido ao governo por um preço inferior ao de outros mercados, até porque o Brasil faz compras grandes. "Somos tratados como um bando de malucos que vende o que quer pelo preço que quer", afirmou Levy, que estará hoje em Brasília. Ele nega que sua agenda inclua encontros para discutir o tema. Os "malucos", segundo ele, seriam toda a indústria farmacêutica (nacional e estrangeira), vítima de uma pressão indevida.A expectativa da Merck é de que a negociação com o Far-Manguinhos seja concluída em seis ou oito meses. Os termos, de acordo ainda não podem ser abertos, mas Levy admitiu que o licenciamento do laboratório público está em discussão. Isso, porém, não significa necessariamente que o Far-Manguinhos produzirá a droga. Há várias alternativas em discussão.O laboratório não acredita que o governo brasileiro tente se valer do artigo 68 da Lei de Propriedade Intelectual (patentes) para quebrar a patente do medicamento da Merck e autorizar sua produção local. De acordo com o artigo 68, o governo pode quebrar a patente de produtos importados após três anos da concessão da patente caso a produção não seja local. Este item está sendo questionado pelos Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC). Quatro produtos da Merck terão o prazo vencido em 2002. "A exigência da produção local forçaria o aumento de preços. Isso torna inviável a produção", afirmou Levy.

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