Laboratório faz pacote de remédios contra aids para o Brasil

A decisão do laboratório anglo-americano GlaxoSmithKline de baixar o preço de medicamentos em 63 países considerados pobres não beneficiará o Brasil, informou hoje o gerente de comunicação da filial brasileira, João Domenech. Contudo, a empresa prepara um pacote com três novos medicamentos anti-retrovirais (Agenerase, Ziagenavir e Triovir), já patenteados no Brasil, para oferecê-lo ao governo local, com descontos e forma especial de fornecimento.A atitude do Glaxo visa à manutenção das vendas de medicamentos patenteados (não podem ser copiados) contra aids no Brasil, um mercado considerado de médio porte para o produto. O programa de fornecimento para o Brasil deverá ser concluído nos próximos meses, disse o executivo. O Glaxo Welcome (antigo nome do laboratório) foi pioneiro em pesquisas de medicamentos contra a aids e o que mais produziu patentes desse tipo em todo o mundo.João Domenech afirmou que o Brasil não foi incluído no conjunto de 63 nações beneficiadas porque é considerado um País de renda média, sem situações desesperadoras. "Em alguns casos, como no tratamento da população infectada pela aids, o Brasil é mais adiantado e eficiente do que muitos países do Primeiro Mundo", disse o gerente.Dos três medicamentos novos do laboratório, dois (Agenerase e Ziagenavir) são vendidos em poucas farmácias brasileiras, e o próprio executivo alerta para a dificuldade de a população obtê-lo. A explicação para a escassez é que o governo mantém os doentes de aids com o coquetel de 12 medicamentos, ainda eficiente no controle do vírus HIV. Domenech não soube informar quanto o laboratório poderá faturar com a venda dos três medicamentos ao governo brasileiro. Segundo João Domenech, a tendência é de que o governo continue fornecendo gratuitamente novos coquetéis à população infectada com o HIV. O outro remédio, Triovir, deverá ser oferecido ao público ainda este ano.Essa dependência brasileira dos medicamentos pesquisados e desenvolvidos em outros países (o princípio ativo dos anti-retrovirais da Glaxo são produzidos no exterior) não será eterna. Segundo a Lei de Patentes, baixada em 1997, após determinado tempo as drogas registradas no Brasil têm de passar a ser produzidas localmente.

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