Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Kroll entrega à CPI relatório sobre 12 investigados na Lava Jato

Empresa investigou 59 contas bancárias no exterior e seis imóveis; nomes de investigados ainda não foram divulgados

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2015 | 20h43

Brasília - A empresa de consultoria Kroll, especializada em auditoria empresarial, apresentou nesta terça-feira, 16, à CPI da Petrobras o resultado de quase três meses de rastreamento de ativos no exterior. Foram investigadas 59 contas bancárias fora do País e seis imóveis. Inicialmente os trabalhos começaram em 33 países, acabou se restringindo para 19 e depois, 15. Ao total são 12 investigados, entre ex-diretores da Petrobrás, executivos e operadores do esquema de corrupção na estatal petrolífera. 

A princípio, o contrato previa 15 investigados. Só o presidente da comissão, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), e o sub-relator, André Moura (PSC-SE), conhecem os nomes dos alvos da Kroll. O relator Luiz Sérgio (PT-RJ) não quis ter acesso aos nomes. Motta e Moura receberão atualizações semanais e assim que houver confirmação dos indícios, serão comunicados imediatamente.

"Os nomes estão sendo preservados para o bom andamento da CPI", justificou Motta. "A questão do grupo restrito não é democrático", protestou o deputado Ivan Valente (PSOL-SP). Alguns membros da comissão acreditam que o resultado das investigações da Kroll pode culminar com a desqualificação das delações premiadas, se forem comprovados que os delatores mentiram à Justiça Federal. 

A partir de dados levantados da Operação Lava Jato e declarações de Imposto de Renda foram encontrados fortes indícios de ativos financeiros, patrimoniais e corporativos (patentes e propriedade intelectual) no Panamá, Ilhas Virgens, Estados Unidos, Reino Unido, Hong Kong e Suíça. Estes países concentram 70% das investigações. Também foram identificados ativos em Mônaco, Bahamas, Cingapura e Líbano. "Encontramos indícios em diversos países", resumiu Motta.

A Kroll pediu mais 17 semanas para concluir as investigações, mas como o prazo final de funcionamento da CPI é 7 de setembro, os deputados pediram para que a empresa de espionagem faça a readequação do prazo, já que o objetivo é fazer com que o resultado da espionagem integre o relatório de Moura. 

A empresa ainda não apresentou os valores da próxima etapa das investigações, que ainda precisam ser aprovadas pelo plenário da comissão. A Câmara já desembolsou mais de R$ 1 milhão pelo rastreamento.

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