Klinger discursa na Câmara de Santo André com apoio de torcida

Apoiado por uma verdadeira torcida, que praticamente lotou o plenário da Câmara de Santo André, o vereador Klinger Luiz de Oliveira Sousa (PT), um dos principais acusados pelo Ministério Público de participar de um esquema de propina para campanhas do PT, fez seu primeiro discurso como parlamentar nesta quinta-feira na retomada dos trabalhos após o recesso.A claque, que trouxe faixas de apoio e até instrumentos de percussão, aplaudiu o vereador durante o discurso, na verdade uma defesa pública das acusações que vem sofrendo. Mais tarde, em entrevista, Klinger negou que tivesse convocado simpatizantes.As bancadas do PT e do PDT cederam todo seu tempo na sessão para Klinger falar. Até o início do recesso, ele ocupava a Secretaria de Serviços Municipais do Município, cargo que pediu afastamento depois que as denúncias de propina tornaram-se públicas no final de junho.Em pouco mais de meia hora de discurso, Klinger afirmou que as denúncias "não são novas", que datam das eleições de 1998 e 2000. Ele afirmou que tais acusações foram novamente trazidas à tona durante a investigação sobre a morte do prefeito Celso Daniel, fato que ele chamou de "ardil habilidosamente engendrado". "Tinham o endereço certo de transportar para dentro do governo de Santo André a responsabilidade pelo seqüestro e morte do prefeito", declarou.Alegando inocência e motivações políticas para as denúncias, Klinger disse que as "suspeitas" tinham o duplo objetivo de "criar uma cortina de fumaça para o problema da segurança pública e também dar robustez e visibilidade nacional a este conjunto de especulações". A reação da platéia foi mais entusiasmada que a de seus colegas vereadores.Depois, em entrevista, Klinger reconheceu que apesar de acusações "antigas", surgiram novos indícios que motivaram o MP a formalizar uma denúncia à Justiça. No caso, os depoimentos de pessoas que afirmam ter pago propina. "Não estou desqualificando o trabalho do MP", afirmou. No entanto, ele negou que os fatos narrados por estas testemunhas, como o pedido de propina e retaliações no caso de não pagamento, sejam verdade.Entretanto, o vereador disse que não tem como "afiançar" os negócios de outros acusados no caso, como os empresários Ronan Maria Pinto e Sérgio Gomes da Silva, o Sombra. "A minha relação de amizade com eles nunca foi uma relação que me permitiu entrar em contato com os negócios, nem deles individualmente, nem entre eles", ressaltou.Klinger afirmou, porém, que "confia" nos empresários. "Eu confio neles, em nossa relação de amizade nunca fui traído", alegou.Ele ainda comentou as declarações feitas na quarta-feira pelos irmãos de Celso Daniel, que não aceitam a hipótese de crime comum para assassinato do prefeito. "A família tem todo o direito de desconfiar da investigação policial, eles perderam um ente querido e não se conformam com a hipótese do acaso", disse. "Mas me reservo o direito de discordar, acredito em crime comum, inclusive fundamentado no relato minuncioso do inquérito que tive do deputado Luiz Eduardo Greenhalg (PT)", concluiu.Nesta sexta-feira a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), criada para investigar as denúncias, vai ouvir Homero Ferreira dos Santos, cunhado do deputado Duílio Pisaneshi (PTB-SP), que disse à CPI que seu parente foi demitido da viação São José, da família Gabrilli, os principais denunciantes do caso, por pressão de Ronan.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.