Kelly Key é formadora de opinião, garante ministro

O ministro da Saúde, Humberto Costa, afirmou nesta sexta-feira que a cantora Kelly Key ?é formadora de opinião? e está confirmada como protagonista da nova campanha nacional de prevenção à aids que será veiculada de 18 de fevereiro a 4 de março, apesar das críticas de organizações não-governamentais ligadas ao combate à doença. ?É um polêmica saudável?, disse o ministro. ?Do mesmo jeito que pode ter chocado algum segmento da população um tipo de publicidade que foi feito e que se dirigia a um grupo específico sujeito a determinado tipo de vulnerabilidade, pode ser que a imagem da cantora Kelly Key não agrade a todos, mas para o setor que nós queremos atingir, a juventude, as mulheres nafaixa etária de 13 a 19 anos, com certeza ela é uma pessoa que tem influência, que forma opinião e pode ajudar a desenvolver um processo importante de combate à aids.? Costa afirmou que respeita a opinião de todos, mas não vaiabrir mão de ter a cantora como protagonista da campanha de Carnaval do ministério, que será lançada no dia 18 com o tema: ?Sexo sem camisinha? Só olha e baba, baby.? ?Ela (Kelly) pode contribuir porque passa a imagem de uma menina que tem poder de decisão na relação. O grande problema do agravamento da aids nessa faixa etária é a dificuldade que as meninas têm de negociar a utilização do preservativo. Então usar alguém que tem um imagem de quem tem uma opinião forte, discute, debate e tenta fazer valer a sua opinião estimula que essas meninas possam também na relação ter uma posição decisiva para o uso do preservativo?, disse o ministro.A cantora Kelly Key, que participa da gravação de seu novo disco, em São Paulo, informou, por meio de assessores, que ficou ?assustada? com a repercussão negativa de sua participação na campanha entre ONGs ligadas ao combate à aids. Representantes das entidades enviaram cartas ao ministério alegando que a cantora explora a figura da mulher-objeto e utiliza uma imagemconsiderada contraditória para a luta de prevenção da aids. ?Ela ficou muito assustada porque o que fez foi só aceitar um convite do ministério, e não imaginava que pudesse dar nisso. Como mãe, ela não podia negar?, disse uma assessora. Segundo ela, o cachê, que teria sido de R$ 54 mil, foi doado para a Fundação Viva Cazuza, que atende crianças contaminadaspelo vírus da aids. De acordo com os críticos, a cantora ?propõe uma pseudo-liberdade sexual, onde o homem é o oprimido e a mulher é a opressora? e ?é perversa com os jovens quando vende um modelo de sucesso e modo de vida baseado no consumo e na futilidade? em seu trabalho. Para a representante das ONGs doNordeste na comissão nacional DST/aids, Solange Rocha, o governo escolheu a estratégia errada para uma campanha educativa. Segundo ela, a cantora não teria identificação com as jovens de todo o país, apenas com as do Rio e de São Paulo.O objetivo do ministério é aproveitar a popularidade de Kelly Key para estimular uma mudança de comportamento entre os jovens. No fim do ano passado, boletim epidemiológico mostrou que o primeiro grupo etário em que as mulheres superaram os homens em casos de aids foi entre 15 e 24 anos. O ministro da Saúde participou pela manhã da inauguração de uma unidadede internação do Hospital de Traumato-Ortopedia e, à tarde, visitou a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz).

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