Kassab reage a ministros e diz: ''Mal havia nascido na ditadura''

Prefeito nega ser representante da 'direita conservadora' na disputa e afirma que não teme participação de aliados de Lula na campanha

Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

11 de outubro de 2008 | 00h00

O prefeito Gilberto Kassab reagiu ontem ao ataque desferido na véspera por petistas e ministros do governo Lula que vieram a São Paulo reforçar a campanha de sua adversária, Marta Suplicy (PT). Acusado de "oportunista" pela ministra Dilma Rousseff e de ligação com "forças do atraso" e até com o regime militar por outros aliados de Marta, Kassab argumentou com a própria idade em sua defesa. "Eu mal tinha nascido", afirmou.O prefeito, que nasceu no dia 12 de agosto de 1960, ainda não tinha 4 anos quando ocorreu o golpe militar. O governo dos generais, contudo, só se encerrou em 1985, com a escolha de Tancredo Neves para a Presidência da República pelo colégio eleitoral. A essa altura, Kassab estava a caminho dos 25 anos.Um dos que mais duramente atacaram o prefeito, na quinta-feira, foi o ministro Luiz Dulci. "São Paulo não pode ter um síndico conservador dirigindo o destino de uma das maiores metrópoles do mundo", discursou.Em alta nas pesquisas e satisfeito com o seu bom desempenho, Kassab afirmou que não teme a participação de ministros de Lula na campanha e negou ser representante da "direita conservadora". Para ele, não é isso que vai pesar na decisão do eleitor."A população vai levar em consideração as propostas, as discussões, as equipes e as comparações das gestões", insistiu ontem, durante visita à favela Chácara do Conde, região da Capela do Socorro - um forte reduto do PT. "O importante não é quem está ao lado dela e quem está ao meu lado. O importante é que as pessoas mostrem as propostas de cada candidato."A visita do prefeito à região foi logo cedo. Ele, seus assessores e alguns parlamentares, como o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB), foram até o extremo da zona sul para vistoriar um minicampo de futebol com grama artificial que acabou de ser inaugurado. A favela mais parecia um canteiro de obras.Depois de interromper o treino das crianças e pedir a bola para bater um pênalti (errou o primeiro, converteu o segundo), Kassab deu a tônica de qual será a estratégia do DEM para a primeira onda de ataques do PT."O importante é que qualquer um que se envolva na campanha discuta propostas para a cidade, que melhorem a qualidade de vida, sejam ministros, secretários. Porque o eleitor quer identificar qual o candidato mais bem preparado e com as propostas para resolver os grandes desafios que São Paulo ainda tem", afirmou. Ele voltou a repetir o discurso de que o "importante são as propostas" em outras quatro perguntas. E justificou: "(O eleitor) já mostrou no primeiro turno que quer a discussão de propostas e comparar as realizações dos dois candidatos."CAMINHADAApós a visita às obras da prefeitura, Kassab seguiu para uma caminhada na rua do comércio do bairro Campo Belo. Ele negou que a presença de deputados tucanos a seu lado fosse uma forma de contra-ataque às investidas dos ministros petistas e repetiu seu bordão. "A questão não é blindagem ou não-blindagem. A questão é apresentar as propostas que fizemos e o que faremos."Com 17 pontos à frente de Marta, segundo pesquisa do Datafolha, o prefeito tentou mostrar que não está de salto alto como sugeriram os petistas na véspera. "Eleição é muito difícil neste segundo turno e o eleitor precisa ser respeitado."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.