Kassab patrocina camisetas e trio elétrico para caminhada católica

Afago em ano eleitoral aproxima o prefeito de lideranças católicas de algumas das principais paróquias da cidade

Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli

29 de fevereiro de 2012 | 13h25

Após liberar em 2011 o estádio do Pacaembu para eventos das igrejas Universal e Assembleia de Deus, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) vai agora patrocinar a 28ª "Caminhada da Ressurreição", evento da Igreja Católica que deve reunir 100 mil pessoas na Penha, zona leste, durante a Páscoa. A SPTuris abriu nesta terça-feira, 29, licitação para a confecção de 5 mil camisetas que serão usadas pelos coordenadores da passeata - a empresa da prefeitura responsável por fomentar o turismo na capital também vai contratar cinco trios elétricos e pagar o sistema de som da festa, marcada para o dia 7.

 

Dos cofres da prefeitura também vai sair o dinheiro para pagar 3 mil cartazes e 500 mil panfletos que serão distribuídos e usados durante a caminhada. A licitação dos trios elétricos inclui ainda a contração de 23 funcionários que devem trabalhar na operação dos veículos, entre eles, oito operadores de áudio e cinco motoristas.

 

A caminhada tem percurso de 13 quilômetros e o ponto de partida é a Basílica da Penha. Os fiéis caminham em procissão até a Catedral de São Miguel Arcanjo, em São Miguel Paulista. É o principal evento da Igreja Católica durante a Páscoa. O afago em ano eleitoral aproxima o prefeito de lideranças católicas de algumas das principais paróquias da cidade, como as de São Miguel Paulista e da Basílica Nossa Senhora da Penha.

Para agradar os evangélicos, o prefeito já havia confrontado o Ministério Público Estadual no ano passado para liberar o Pacaembu para o evento que comemorou o centenário da Assembleia de Deus. A Associação Viva Pacaembu havia conseguido liminar na Justiça em 2007 que proibiu qualquer evento religioso no estádio.

 

Dois meses antes fazer a liberação para a Assembleia, Kassab já havia confrontado a legislação municipal e o MP para liberar o Pacaembu, localizado em bairro residencial, para festa da Igreja Universal que reuniu mais de 60 mil pessoas de todo o país.

 

Aproximação. A aproximação de Kassab com as igrejas evangélicas começou em 2010, um ano após o prefeito ter sido retratado com "chifres" de diabo por religiosos da Igreja Mundial do Poder de Deus. O motivo das críticas foi o fechamento do megatemplo da igreja no Brás. Depois da pressão, a Prefeitura liberou o imóvel e Kassab passou a comparecer em eventos públicos realizados pelos pastores. Em 2011, uma lei de autoria do Executivo liberou a construção de outro templo da Igreja Mundial em Santo Amaro, em uma região onde, de acordo com uma legislação de 1988, deveria haver uma rua municipal.

 

A "amarração" de Kassab com as principais lideranças religiosas da cidade deve ajudar o prefeito durante a campanha das eleições municipais, na qual vai apoiar o candidato do PSDB José Serra. As bancadas evangélicas da Câmara Municipal de São Paulo já apoiam o prefeito. Em 2011, dezenas de igrejas evangélicas também ajudaram o prefeito a colher assinaturas para a fundação de seu PSD. Procurada às 13 horas para comentar o patrocínio ao evento católico da Páscoa, a assessoria de imprensa do prefeito não se manifestou.

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