Kassab mostra 'intimidade' e diz que Serra confiou SP a ele

Prefeito diz que governador 'seguiu sua intuição' quando entregou cidade a ele, sem experiência no Executivo

Andréia Sadi, do estadao.com.br

11 de agosto de 2008 | 15h06

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab  (DEM),  disse nesta segunda-feira, 11, que o governador  José Serra "seguiu sua intuição" quando confiou a ele a gerência da cidade. " Comecei minha gestão com Serra e quando ele foi ocupar o governo, ele deixou a cidade em minhas mãos. Eu, que nunca ocupei um cargo público no Executivo. Imaginem a responsabilidade. Serra, com sua intuição sentiu que poderia confiar a gerência da cidade para mim. Depois de dois anos e quatro meses gratificantes, eu pude emostrar os compromisso da campanha".  Veja Também: Pesquisa Ibope - São PauloPerfil de Gilberto KassabGuia do eleitor esclarece dúvidas sobre o pleito O governador , que é do PSDB, ainda não se posicionou sobre as campanhas. Serra, um dos responsáveis, nos bastidores, pelo lançamento da campanha de Kassab, mesmo com a decisão do PSDB de colocar na disputa o candidato Geraldo Alckmin, tem evitado aparições públicas para não se indispor ainda mais com seu partido. Kassab foi o primeiro convidado da semana de debates organizado pela faculdade de Direito da Faap, em Higienópolis.Até sexta-feira, os demais candidatos à Prefeitura devem comparecer para discutir soluções para a cidade.  O prefeito voltou a compara sua gestão com a da antecessora, Marta Suplicy, focando na área da saúde principalmente. Kassab investiu em número e citou todas as ações de sua gestão na Saúde. Falou das 110 Amas (atendimento primário), que foram criadas com ele na Prefeitura. Segundo ele, elas atendem 1,2 milhão de pessoas por mês. Criticou o atendimento anterior dado na área da saúde. "Como essas pessoas estavam sendo atendidas antes? Se você me disser que era em hospital, acho ótimo. Mas e se não estavam? Aí é muito grave. Conseguimos avanços importantes. Disse também que investiu mais em Saúde que Marta, com 20% contra 15% do orçamento, mas sem aumentar taxas e arrancou risos da platéia ao lembrar os tributos criados pela ex-prefeita, que renderam, inclusive, o apelido de "Martaxa".  "Aliás, o que fizemos foi o seguinte: taxa de lixo e taxa de iluminação nós eliminamos. E completou: "por incrível que pareça, essas taxam existiram".  Ocorredor de ônibus da Avenida Rebouças, construído por Marta, voltou a ser alvo das críticas de Kassab pela falta de área de ultrapassagem. "Isso não é corredor. Não é assim que se faz", criticou. Ele se gabou de ter sido o único prefeito nos últimos 30 anos a investir no Metrô e prometeu destinar ao setor mais R$ 1 bilhão se for eleito. Kassab atacou ainda as taxas do lixo e de iluminação pública, mesmo para quem morava em ruas sem luz, instituídas por Marta e derrubadas por ele. Na platéia de 300 pessoas, estavam o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo (DEM) e o vereador do PV Roberto Trípoli. Lembo, que é professor da Faap, disse que assistirá as palestras de todos os candidatos à Prefeitura, durante essa semana na faculdade, mas ouviu com atenção especial a de Kassab. "Assisti a fala dele com mais alegria, porque vou votar nele", afirmou. Mais cedo  A falta de engajamento de Serra nesta campanha eleitoral foi lembrada por um aposentado durante o trajeto de metrô que Kassab fez hoje pela manhã, da Estação São Bento, no Centro, até a Parada Inglesa, na zona Norte. No caminho, o prefeito encontrou o aposentado Benedito da Silva, de 58 anos, que elogiou a sua administração e ponderou: "Vamos esperar que o governador também colabore nesta campanha".  Kassab começou a agenda de campanha mais cedo nesta segunda. Por volta das 10 horas, saiu da Prefeitura e embarcou na Estação São Bento para participar da inauguração de um de seus 60 comitês de campanha, em Santana, na zona Norte. Ele não soube definir se a viagem de metrô era evento de campanha ou oficial. "Pode ser de campanha, mas também pode ser uma vistoria como prefeito", justificou.  No entanto, ele tomou o cuidado de não pedir votos durante o passeio. Conversou com os passageiros, perguntou o que achavam do metrô e de sua administração. Quando foi elogiado pelo contador Rivaldo Dourado Neris, de 35 anos, despistou: "Deixa a eleição de lado, eu procuro fazer tudo o que é certo". (Com Ricardo Brandt, de O Estado de S.Paulo e Carolina Freitas, e Carina Urbanin, da Agência Estado) Texto atualizado às 16h20

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