Kassab faz ''maldades'', diz Marta

Petista promete pedir dinheiro a Lula para periferia

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

19 de setembro de 2008 | 00h00

Empolgada com o apoio recebido em Cidade Kemel, um dos bairros mais carentes de São Paulo, a candidata do PT à prefeitura, Marta Suplicy, prometeu ontem "pedir dinheiro ao presidente Lula" para resolver os problemas da periferia. Do alto de um caminhão de som, Marta disse que quer voltar a ser prefeita para "reparar as maldades" feitas por Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, e pediu empenho dos militantes para conquistar votos na reta final.Cidade Kemel foi o terceiro bairro visitado ontem por Marta, em carreata pela zona leste, e é reduto do PT. Por estar fincado na divisa entre São Paulo, Itaquaquecetuba, Poá e Ferraz de Vasconcelos, suas mazelas não são resolvidas por ninguém e é comum prefeitos revezarem-se no jogo de empurra, alegando que a solução cabe ao outro município."Nós vamos resolver esse problema nem que a gente tenha de ir a Brasília falar com Lula e pedir dinheiro", afirmou Marta, numa referência à canalização do córrego Três Pontes, que corta as quatro cidades e onde já morreram crianças.Seguindo a estratégia de colar sua candidatura na popularidade de Lula, a ex-ministra citou o presidente pelo menos outras quatro vezes, em comícios relâmpagos em Cidade Tiradentes e Vila Iolanda. Disse que será "uma eleição difícil" e cobrou mais trabalho dos militantes. "Peguem os santinhos e batam de casa em casa em casa, explicando que de um lado está o PT e de outro os demos, que fizeram maldades com vocês e não olham para a periferia. Os tucanos também são a mesma coisa", gritou a candidata.Na lista das "maldades" de Kassab, Marta mencionou a proibição de recarga do Bilhete Único nos ônibus e o que chamou de "abandono" da saúde. Em todos os palanques, cumpriu o script combinado e dirigiu a artilharia na direção do prefeito.Questionada sobre declaração do candidato do PP, Paulo Maluf, que pediu a Deus para Marta não ser eleita, a petista reagiu com desdém. "Maluf está do outro lado do rio. Não faz diferença", respondeu. Logo depois, porém, corrigiu: "Mas eu espero que o eleitor dele perceba tudo o que podemos agregar." Em 2004, Maluf apoiou Marta no segundo turno.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.