Kassab e Serra se contradizem sobre enchentes em SP

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o governador do Estado, José Serra (PSDB), entraram em contradição hoje ao explicarem os motivos do alagamento das marginais do Tietê e do Pinheiros durante as fortes chuvas de ontem. Em evento de inauguração do Ambulatório Médico de Especialidades (AME), em Heliópolis, o prefeito Kassab afirmou categoricamente não ter havido falhas no sistema de bombeamento de água das marginais, o que foi confirmado por Serra.

ANA CONCEIÇÃO, Agencia Estado

09 de dezembro de 2009 | 17h58

Segundo Kassab, a informação de que teriam ocorrido problemas partiram de pessoas que querem opor o governo estadual ao municipal. "Não houve falha de bomba. As pessoas querem fazer intriga, mas Estado e município trabalham em conjunto", disse.

Mais tarde, após a inauguração do empreendimento, o governador Serra confirmou ter havido problemas no sistema de bombeamento da Usina de Traição, no Rio Pinheiros. "Realmente o equipamento não funcionou na hora em que foi acionado. Mesmo que tivesse funcionado, sem dúvida haveria enchentes por causa do grande volume de chuvas", explicou.

O problema de drenagem das águas da chuva também foi confirmado pela secretária estadual de Saneamento e Energia de São Paulo, Dilma Pena. Ela explicou que na Usina de Traição ocorreu um defeito em uma peça chamada pistão, que aciona o combustível para o funcionamento da bomba. Isso fez com que o sistema hidráulico que move o equipamento não funcionasse.

"O problema está sendo reparado e, na próxima semana, a bomba estará em operação", assegurou. De acordo com a secretária, se a bomba tivesse funcionando, ainda assim haveria transbordamento do rio na região da Cidade Universitária.

Quanto à Ponte das Bandeiras, na Marginal do Tietê, Dilma explicou que o muro de arrimo que protege a pista da Marginal contra a passagem de água, cedeu, mas esse problema já foi resolvido. A secretária negou que o cronograma de construção de piscinões - sistemas que retêm a água da chuva - esteja atrasado. Dos 134 previstos no projeto inicial, apenas 45 foram concluídos. "Não é fácil encontrar áreas disponíveis para instalar os piscinões dentro da região metropolitana, mas a implantação deles está dentro do curso normal", minimizou.

Apesar de criticado, o prefeito Kassab voltou a afirmar que não houve caos após as chuvas de ontem e que cidade vive "um bom momento" em seu sistema de planejamento de drenagem. "O que tivemos foi uma chuva intensa, localizada, e o transbordamento do Rio Tietê. Não foi o caos porque duas horas depois a cidade estava voltando à sua rotina." O prefeito creditou o alagamento das marginais ao excesso de chuva e ainda disse que o plano de emergência para situações de enchente funcionou a contento.

Questionado sobre a redução dos investimentos contra enchentes na cidade, Kassab negou que tenha havido queda de recursos. "O que a imprensa mostrou é a comparação dos investimentos com o orçamento. Há projetos com maturação mais longa." Ambos, prefeito e governador, argumentaram que as obras estão resolvendo os problemas. "Alguns locais responderam bem ao volume de chuva por causa dos investimentos", disse Kassab, referindo-se aos córregos Aricanduva e Pirajuçara. Já Serra afirmou que nunca antes foram feitos tantos investimentos no Estado nessa área. "Nunca se investiu tanto contra enchentes em São Paulo", afirmou.

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