Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Kassab e Pacheco irão ao Rio para evento que consolidará ‘Era Paes’ no PSD

Prefeito passou a comandar o diretório local e vai filiar todo seu ‘núcleo duro’ até a próxima janela partidária; evento também reforçará presidente da OAB como candidato ao governo

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2021 | 19h23

RIO – O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o comandante de seu futuro partido, Gilberto Kassab (PSD), irão ao Rio neste sábado, 23, para o primeiro encontro da legenda na cidade desde que o diretório local passou para as mãos do prefeito Eduardo Paes. O evento também marcará uma espécie de pré-oficialização da candidatura do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, ao governo fluminense.

O curioso é que tanto Santa Cruz quanto os principais aliados de Paes que ingressarão na legenda ainda não devem se filiar – por causa dos cargos que ocupam atualmente. Quase todos os considerados homens-fortes do prefeito no Executivo carioca têm mandatos eletivos e devem aguardar a próxima janela partidária. Na eleição do ano que vem, eles tentarão formar uma bancada federal robusta para o PSD-RJ. 

São quadros como os deputados licenciados Pedro Paulo (DEM), Marcelo Calero (Cidadania), Renan Ferreirinha (PSB) e Chicão Bulhões (ex-Novo). O último foi o único que se filiou ao PSD, já que entregou o mandato quando virou secretário; os demais correm o risco de perder os mandatos, por infidelidade partidária. Eles ocupam, respectivamente, as pastas de Fazenda, Governo, Educação e Desenvolvimento Econômico. De fora do atual governo Paes, ainda há para a eleição o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, expulso do DEM após brigas públicas com o comandante da sigla, ACM Neto. 

O presidente da OAB deve ingressar na legenda no início do ano que vem, quando encerra seu mandato à frente da Ordem. Ele é, hoje, o nome de Paes para o governo do Rio.

“Não vamos formalizar o nome no sábado, só na convenção, mas já disse que meu candidato a governador se chama Felipe Santa Cruz. O encontro será o primeiro do partido sob minha presidência. Estou muito ansioso e torcendo para que nosso candidato a presidente, Rodrigo Pacheco, esteja presente”, disse Paes quando o Estadão lhe questionou sobre o encontro. Segundo a assessoria de Pacheco, ele estará lá. 

Em almoço com empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) nesta quinta-feira, Paes fez um discurso com forte viés político. Destacou a necessidade de promover a ascensão de novas lideranças. E aproveitou a afirmação para debochar de seus últimos dois adversários eleitorais - o governador cassado Wilson Witzel (PSC), que o venceu em 2018, e o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), derrotado por ele no ano passado.

“O Rio foi o epicentro de todas as crises do Brasil: econômica, política, ética. Algumas continuam. Isso tudo levou, em 2016, à eleição de um prefeito que não tinha ligação com o Rio, que é uma cidade de respeito às diferenças, à diversidade. A cara de pressão baixa do Crivella e de tarado do Witzel desanimavam qualquer um”, disse o prefeito a representantes da economia carioca.

Como já havia feito há poucos meses diante de empresários do Grupo Lide, ele voltou a dar sua visão sobre o histórico recente da política brasileira. Fez elogios aos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e críticas à, segundo ele, “tragédia” que veio depois, com Dilma Rousseff (PT) e Jair Bolsonaro. Em relação ao tucano, destacou a estabilização econômica; ao petista, o combate à desigualdade. 

O PSD garante que Pacheco será seu candidato à Presidência. Nos bastidores, contudo, quadros do partido reconhecem que, no momento, o cenário é desfavorável à ascensão de uma terceira via como alternativa a Lula e ao presidente Jair Bolsonaro. A expectativa é de que haja um derretimento ainda maior do atual mandatário, de modo a tirá-lo do segundo turno. 

Na atual conjuntura, o PSD e seus principais comandantes de Executivos locais – Paes, no Rio, e Alexandre Kalil, em Belo Horizonte – estão muito mais para o lado do petista do que para o de Bolsonaro, quando considerado um cenário em que se tem que escolher um dos dois. É possível que haja um acordo com o PT para um eventual segundo turno contra Bolsonaro, caso a sigla de Kassab de fato lance candidato próprio e não chegue à segunda etapa da eleição.

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