Kassab e Cunha retomam diálogo após crise na base

Ministro e presidente da Câmara se reúnem; polêmica envolvia espaço do PSD no governo e enfraquecimento do PMDB

Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

22 Abril 2015 | 21h46

Brasília - Depois da crise provocada pelo aumento do espaço do PSD no governo e pela mobilização para criar um novo partido diminuindo a força do PMDB, o ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltaram a conversar. Eles se reuniram nesta quarta-feira, 22, em um café da manhã na residência oficial de Cunha. 

O encontro não constou na agenda de nenhum dos dois. Questionado se havia feito as pazes com Kassab, Cunha respondeu de maneira sucinta: “Nunca brigamos”. 

PMDB e PSD estavam em guerra desde o início do ano. Na intenção de enfraquecer o partido de Cunha, a presidente Dilma Rousseff fortaleceu a legenda de Kassab, que articula a recriação do Partido Liberal para posteriormente fundi-lo com o PSD, criado em 2011. O ex-prefeito paulistano e atual ministro virou alvo de líderes peemedebistas que concluíram que ele agia em conjunto com o Planalto para tentar reduzir a influência do partido.

Para combater as intenções de Kassab, o PMDB atuou em várias frentes. A principal medida foi a aprovação de uma quarentena de cinco anos para a fusão de partidos políticos. O texto, apelidado de “Lei anti-Kassab”, foi aprovado no Senado no início de março e sancionado por Dilma um dia após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) receber o pedido de registro do Partido Liberal. A dúvida é se a nova lei vale para o novo PL.

O café da manhã de ontem foi articulado pelo líder do PSD na Câmara, Rogério Rosso (DF). Cunha e Kassab evitaram discutir a polêmica que os distanciou durante os primeiros meses deste ano. A pauta ficou em torno de reforma política e terceirização. 

Terceirização. Presidente licenciado do PSD, Kassab disse a Cunha que, ao contrário da semana passada, seu partido não obstruiria a votação das emendas ao projeto que regulamenta a terceirização no País. Foi graças a um requerimento de retirada de pauta apresentado pelo PSD na quarta-feira passada que o presidente da Câmara teve de, contra sua vontade, adiar a votação. 

Para tomar a decisão de não mais obstruir a votação, o PSD afirmou ter recebido um parecer técnico que indica que não há perda de direitos dos trabalhadores. O partido, no entanto, ainda não definiu se acompanhará a vontade do PMDB nos pontos mais polêmicos a serem discutidos nesta quarta-feira: a extensão da terceirização para as atividades-fim e a questão fiscal. O partido de Cunha diverge do PT e do governo nesses pontos. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.