Kassab diz que PSDB será aliado em 2008

Segundo o prefeito, não haverá uma chapa do DEM e outra dos tucanos

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

24 de julho de 2007 | 00h00

A coligação de PSDB e DEM será mantida na disputa da Prefeitura de São Paulo no ano que vem, sob o comando do governador José Serra, disse ontem o prefeito Gilberto Kassab (DEM), em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Segundo ele, não haverá duas chapas - uma do PSDB e outra do DEM - e dois palanques em 2008. Nos dois últimos meses o ex-governador Geraldo Alckmin insinuou que deseja ser o candidato do PSDB à prefeitura paulistana.Kassab se negou terminantemente a dizer se quer ser candidato à reeleição, afirmando que candidatura não é objeto de vontade pessoal, mas de viabilidade política. "Haja o que houver, ano que vem vocês me verão no mesmo palanque do governador Serra", disse Kassab. Durante o programa, ele fez muitos elogios a Serra e deixou claro que o entendimento entre os dois continua azeitado.Kassab disse que o seu maior empenho não é o de antecipar a sua candidatura, mas preservar a aliança que, em São Paulo, vem sendo sustentada com êxito nos dois níveis - governo estadual e prefeitura da capital - desde 2004. Em 2002, o hoje governador José Serra rechaçou uma aliança com o PFL (antecessor do DEM), quebrando a continuidade de uma parceria que se mantinha desde a primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso, em 1994."Acima de tudo, temos de preservar essa aliança em todos os níveis", expressou Kassab. Ele minimizou declarações feitas na véspera pelo deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do DEM, que decretou a irreversibilidade da sua candidatura em 2008. Maia desabafou, dizendo que as últimas pesquisas desmentiram o discurso de "alguns tucanos e petistas", para os quais o prefeito "não existia" eleitoralmente.Ele falou na esteira de uma pesquisa do Instituto Datafolha, que atestou uma expressiva melhora na avaliação e na popularidade de Kassab. Em quatro meses, o prefeito dobrou o seu índice de aprovação e reduziu em 7 pontos porcentuais a sua desaprovação. Ele passou de 15% de ótimo/bom, em março, para 30%, agora; os 42% que em março o qualificavam como ruim/péssimo agora são apenas 35%.ENCRUZILHADAA um ano da decisão, PSDB e DEM vivem uma encruzilhada política. Por um lado, como mencionou um deputado tucano ontem, falta muito tempo para tomar a decisão. Por outro, o PSDB vem sendo pressionado desde abril pelo ex-governador Alckmin, que considera a candidatura à prefeitura paulistana como a melhor retomada de sua carreira política, interrompida pela derrota na eleição presidencial de 2006.Em abril Alckmin interrompeu a temporada de estudos que cumpria nos EUA e veio ao Brasil para dar entrevistas, nas quais se insinuou como candidato à prefeitura. A amigos, disse que não havia força política capaz de bloquear a sua candidatura. Ele se fiava em sua sustentação interna no partido, em seu prestígio no eleitorado e na vulnerabilidade eleitoral de Kassab.Mas Alckmin não contava com a melhoria de imagem de Kassab, atribuída à boa repercussão de dois programas da prefeitura - o Cidade Limpa (que está acabando com a poluição visual da cidade, removendo outdoors e cartazes de grandes proporções), à recuperação dos asfalto das ruas da capital e a respostas ágeis que ele tem dado a situações de crise (no dia do acidente com o Airbus da TAM, o prefeito chegou ao local quando as chamas ainda crepitavam).Fontes do DEM disseram que o partido jamais tentaria impor um candidato que não tivesse viabilidade eleitoral, mas que, à medida que a popularidade de Kassab aumenta, o partido não poderá abrir mão da sua candidatura à reeleição.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.