Kassab descarta fusão do PSD com PSB ou PMDB

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, descartou a possibilidade de que seu novo partido, o PSD, lançado hoje, caminhe para uma fusão com PSB ou PMDB. "Não faremos fusão", disse. "Fomos convidados por duas legendas respeitáveis, o PMDB e o PSB, e definimos nas últimas semanas que o partido caminhará com suas próprias pernas nas eleições municipais do ano que vem, coligado ou com candidatura própria", afirmou o prefeito, que só hoje se desligou oficialmente das suas funções partidárias do DEM, onde era presidente do diretório regional paulista.

DAIENE CARDOSO E GUSTAVO URIBE, Agência Estado

21 de março de 2011 | 15h37

Kassab atribuiu sua decisão de deixar o DEM e criar o PSD à discordância da atuação do partido como oposição e disse que sua aproximação com o governo da presidente Dilma Rousseff nos últimos meses tornou insustentável sua permanência no DEM. "Essa aproximação existe e essa é a razão para minha saída do DEM", afirmou. "Me sinto desconfortável num partido que quer votar sempre contra porque é contra. Acima dos partidos existem os interesses do País."

Líder da nova legenda, Kassab afirmou que pretende criar grupos de discussão nos Estados, entre eles Goiás, Tocantins, Roraima, Minas Gerais e Rio de Janeiro, para a montagem de diretórios regionais. "Aqueles que estão no DEM e em outros partidos estão no direito de se filiar ao PSD", convidou.

O prefeito disse que em São Paulo já convidou três aliados para analisar a possibilidade de concorrer à sua sucessão: o vice-governador, Guilherme Afif Domingos, o secretário municipal de Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, e o ex-secretário estadual de Planejamento Francisco Luna. Segundo Kassab, os três disseram que não têm disposição de se candidatar no ano que vem, mas ele pretende insistir no convite. "Vou trabalhar para que um deles aceite esta missão."

Questionado sobre suas relações com o ex-governador José Serra e com o PSDB paulista, Kassab disse que, mesmo mudando de partido, manterá uma aliança "sólida e firme" com o tucano. "Minhas relações com o José Serra são inquebráveis. Onde ele estiver, estarei ao seu lado."

Kassab lembrou que votou em Serra nas eleições de outubro, mas, como Dilma venceu, ele agora "torce pelo sucesso" da presidente. "Estaremos ao lado do governo federal em relação aos projetos que acreditamos serem o melhor para o País; e estaremos contra os projetos que não acreditamos serem o melhor para o País", afirmou.

O prefeito não quis comentar o resultado da pesquisa Datafolha, divulgada hoje, que mostra recorde de desaprovação sobre sua atuação no comando da administração municipal. "Espero que possamos, até o último dia do nosso mandato, continuar trabalhando e possamos cumprir nossas metas", desconversou.

Quanto às críticas do deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), líder do DEM na Câmara, Kassab preferiu fugir do confronto. "Desejo sorte ao ACM Neto", afirmou. "Não vou polemizar." ACM Neto postou em seu twitter: "Nasceu hoje o PSD, o partido sem decência, o partido sem dignidade. O DEM tem de ir para a oposição ao Kassab. Vamos enfrentá-lo em São Paulo."

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