Kassab cobra de secretários do PSDB a defesa de sua gestão

Prefeito pede ?engajamento? da equipe, mas alerta para que erros não sejam cometidos

Ricardo Brandt, Silvia Amorim e Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

15 de julho de 2008 | 00h00

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) reuniu ontem secretários de governo e subprefeitos, a maior parte deles do PSDB, em um almoço para cobrar a defesa de sua gestão e adverti-los de que é proibido o uso da máquina para fazer campanha.Tucanos como Andrea Matarazzo, José Gregori, Ricardo Montoro, Caio Carvalho e Clovis Carvalho deram sinais de que vão apoiar a candidatura de reeleição de Kassab mesmo com o PSDB tendo nome próprio na disputa - o ex-governador Geraldo Alckmin.Dizendo-se um radical defensor do programa de governo de Kassab, qualificado por ele como tucano-democrata, o secretário de Esportes, Walter Feldman, afirmou que seu partido, o PSDB, "tem orgulho de estar nessa gestão". "O importante é que o interesse público prevaleça sobre o interesse partidário", discursou Feldman aos cerca de 80 presentes, que o aplaudiram quando declarou não ter problemas em apoiar Kassab. Após o almoço, em um hotel da cidade, Gregori frisou que tanto Kassab como Alckmin são excelentes candidatos. Mas, constrangido, disse que vai evitar subir em palanques.No encontro, o coordenador de marketing da campanha do DEM, Luiz Gonzales, destacou que a tarefa de todos era mostrar o que foi feito nos quatro anos de gestão. "Nosso desafio é erguer uma muralha da China para separar o que é público e o que é campanha."O coordenador do programa de governo, Guilherme Afif Domingos, cobrou dos secretários e subprefeitos a definição de metas em suas áreas. "Vamos fazer nos próximos 30 dias reuniões fora do expediente para ouvir suas propostas para o novo governo."O prefeito, que durante todo o evento mostrou-se preocupado em dizer que não estava constrangendo ninguém, falou em engajamento de todos na campanha. "Quero falar do engajamento de todos, mas que façamos de uma forma que não cometamos erros", ressaltou Kassab.O coordenador da campanha tucana, Edson Aparecido, classificou o encontro como "irrelevante e inócuo" para a candidatura de Alckmin. "Estamos preocupados em dialogar com o 11 milhões de habitantes e debater os problemas e desafios da cidade. O adversário nessa eleição é o PT."ATAQUESNuma caminhada no centro para abrir oficialmente campanha, a petista Marta Suplicy (PT) deixou de lado o discurso ameno e retomou ataques ao DEM e ao PSDB. "A gente vê que os tucanos e demos não sabem usar o dinheiro", disse, em referência ao montante que a prefeitura mantém aplicado em renda fixa, número que ultrapassou R$ 4 bilhões no início deste ano."Dinheiro de prefeitura é para gastar com o povo. Não é para gastar no banco, não é para render juros no banco." Em nota, a prefeitura afirmou que Marta "deveria ter vergonha de falar em finanças públicas". "Ela faliu a cidade e deixou apenas R$ 18 mil no banco no fim do governo, com uma dívida vencida, só em restos a pagar, de R$ 750 milhões."

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