Kassab: caso da Finatec foi 'falha de comunicação'

Ao lado do secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Floriano Pesaro, o prefeito Gilberto Kassab disse hoje que a assinatura de um contrato de R$ 1,17 milhão por parte da secretaria com a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) foi resultado de uma "falha de comunicação". Pesaro esclareceu que nenhum pagamento foi feito à Fundação e que tomou providências para rescindir o contrato. "Não foi pago um tostão para a Finatec", afirmou.A Fundação, ligada à Universidade de Brasília (UnB), é alvo de investigações do Ministério Público do Distrito Federal (MP-DF) e da Corregedoria Geral do Município de São Paulo por irregularidades. Kassab chegou a culpar o secretário pelo erro, mas hoje, em entrevista durante o lançamento do Escritório de Inclusão Social (EIS) do Pari, na Mooca, zona leste da Cidade, foi brando: "Mais que um equívoco da secretaria, foi um erro da própria administração, talvez até falha de comunicação."Segundo Kassab, a secretaria não estava a par da investigação da corregedoria sobre irregularidades envolvendo a Finatec, ocorridas na gestão de Marta Suplicy. "O contrato era questionado, portanto não seria recomendado que ela fosse novamente contratada", disse o prefeito. Kassab, porém, defendeu a atuação de Pesaro a frente da Secretaria. "Em nada uma ação dessas desmerece o excelente trabalho que Floriano vem fazendo", disse. "Incontestavelmente, ele é um dos melhores secretários que tivemos a frente da Assistência Social na história da Cidade." Pesaro foi secretário-chefe da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB). A indicação para assumir a pasta na gestão Kassab partiu do também tucano José Serra.Pesaro sustentou desconhecer as denúncias no momento da contratação da Finatec, em novembro de 2007. "Quando assinamos o contrato, ela não estava sob esses olhares", disse. "Quando soubemos das primeiras denúncias, mandamos suspender todo e qualquer pagamento." O conteúdo do contrato é, segundo Pesaro, "absolutamente lícito e legal". "Mas, a essa altura, a Finatec não tem mais condições de prestar nenhum tipo de trabalho", ponderou.ObservatórioA Fundação compilaria informações das 31 supervisões da rede de Assistência Social da Prefeitura, com dados de mais de 800 convênios, dentro do Observatório de Políticas Sociais. Contratada sem licitação, a Finatec estruturaria uma ferramenta de transparência. "A idéia do Observatório é ter maior controle e monitoramento sobre o gasto público", disse Pesaro. De acordo com o secretário, contribuiu para a escolha da prestadora de serviços a experiência da entidade na estruturação de um observatório social em Porto Alegre (RS). "A proposta veio ao encontro do que precisávamos naquele momento", disse Pesaro.Depois da rescisão com a Finatec, no entanto, Pesaro pretende abrir uma licitação para escolher a empresa que montará o observatório paulistano. "Vamos fazer um processo de licitação", afirmou. "É um pouco mais demorado, mas dá segurança a nós todos", disse. Pesaro negou que a sua pasta tenha qualquer outro contrato firmado com a Fundação. A possibilidade havia sido comentada pelo procurador Ricardo Antônio de Souza. Segundo Souza, a Finatec enviou um documento ao Ministério Público informando que negociava um contrato com a Prefeitura para 2008. O secretário negou a hipótese: "Eles podem até fazer proposta, mas nós não temos qualquer outro contato com a Finatec."Kassab também disse desconhecer outros acordos com a Fundação. "A Prefeitura é muito grande e os secretários tem autonomia, mas, que eu tenha conhecimento, esse é o único contrato da Prefeitura com a Finatec", disse. O prefeito negou-se a comentar os acordos firmados na gestão de Marta: "Prefiro não me manifestar". "Esse processo corre de maneira autônoma, independente, sem a minha interferência e continuará sendo assim", concluiu.

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