Kassab aposta em união de Democratas e PSDB em SP

Gilberto Kassab, do DEM (ex-PFL), prefeito de São Paulo, evita revelar se sairá candidato às eleições municipais do ano que vem, mesmo vivendo um momento de destaque ao implantar o polêmico projeto Cidade Limpa, que livra a cidade de outdoors e limita letreiros de lojas. Mas de uma coisa ele diz ter certeza: contrariando a linha assumida pela direção do Democratas, Kassab, 46 anos, se mostra voz dissonante ao declarar que a tradicional coligação entre o antigo PFL e o PSDB é sólida e vai se repetir no próximo pleito no município, em 2008. "Governar visando às urnas nunca dá bom resultado", disse Kassab à Reuters em seu gabinete na sede da Prefeitura, região central da cidade. Este é seu primeiro cargo executivo, obtido com a saída de José Serra (PSDB) rumo ao governo do Estado há um ano. Até então, o prefeito havia sido vereador e duas vezes deputado federal. "O importante é a gente fazer um bom trabalho e é para isso que a gente está se esforçando. Não tenho a menor preocupação em ser nem em não ser (candidato a prefeito). Tudo tem o seu tempo", completou. Pela sua previsão, o paulistano vai esperar até março do ano que vem para conhecer a decisão sobre uma candidatura. Esta é a data-limite para que um governante deixe o cargo e possa concorrer às eleições de outubro. "É a hora em que as direções partidárias se reúnem para tomar uma decisão. Então vão sentar numa mesa a direção partidária do PSDB e a dos Democratas e vamos ver qual o caminho", explica. "Uma coisa já está definida: os Democratas e o PSDB vão continuar aliados em São Paulo", sentencia. Carreira soloJá lideranças dos Democratas, como o ex-presidente da sigla Jorge Bornhausen, pregam uma carreira solo para o partido para, assim, conseguir deixar marcas de suas propostas liberais na economia e na política. As duas siglas também exibem diferenças neste momento em torno da instalação da CPI que vai investigar a crise no setor aéreo. Enquanto o DEM quer pegar pesado, o PSDB se mostra mais conciliador. Tanto o presidente dos tucanos, Tasso Jereissati, quanto o governador de São Paulo estiveram conversando com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O fator decisivo para as eleições locais se chama José Serra. O governador deve apoiar Kassab na disputa, desbancando o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), de acordo com o cenário político que prevalece no momento. Tanto é assim que a administração Kassab respira tucanagem. Secretários e assessores da era Serra permanecem na prefeitura, entre eles Aloisio Nunes Ferreira, muito próximo do governador. "Os dois partidos estão juntos na maior cidade do País e no maior Estado do País e juntos fazem oposição ao governo federal. Então, eu acho que é uma aliança que nunca esteve tão sólida", afirma Kassab. O prefeito ainda tenta justificar as diferenças entre as siglas. "Se você tivesse posições totalmente idênticas, ia fazer uma fusão e ter um partido só." Trabalhar por popularidadeO Democratas substituiu neste ano o nome Partido da Frente Liberal (PFL), nascido há 22 anos. A direção também foi renovada. Bornhausen deu lugar a Rodrigo Maia (RJ) na presidência. Kassab, filiado desde 1995, preside agora o diretório paulista e o conselho político da sigla. Independentemente de questões partidárias, Kassab deve ter trabalho em convencer o paulistano de sua eventual candidatura, levando-se em conta sua popularidade. Em pesquisa Datafolha divulgada em março, os paulistanos deram nota 3,9 ao prefeito. O índice de moradores que julgam ruim ou péssima sua administração chega a 42%. O Cidade Limpa, seu principal projeto até agora, tem seguidores e diversos críticos. No início de implantação do projeto, Kassab discutiu com um dono de uma empresa que fabrica faixas e placas, chegando a chamá-lo de "vagabundo". "Eu perdi o controle. Errei. Quem está na vida pública não pode se descontrolar", afirmou sobre a discussão, sem responder se acredita que a população de 11 milhões de paulistanos já o perdoou pela atitude.

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