Justiça volta a proibir uso de imagem de Campos por rivais

Tribunal Eleitoral emPernambuco acatapedido da família deCampos; em Minas,tucano não cita Aécio

ÂNGELA LACERDA / RECIFE, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2014 | 02h03

O Tribunal Regional Eleitoral proibiu o uso de som e imagem do ex-governador Eduardo Campos em campanhas eleitorais por candidatos adversários da coligação liderada pelo PSB em Pernambuco. A decisão ocorreu após a campanha de Armando Monteiro (PTB) utilizar a imagem de Campos na estreia do programa eleitoral no Estado.

A coligação em torno do candidato de Campos em Pernambuco, Paulo Câmara (PSB) entrou anteontem na Justiça Eleitoral com uma medida cautelar para proibir o uso da imagem do ex-governador pela campanha de Monteiro.

A Justiça Eleitoral havia negado um pedido de liminar. A família deu entrada, então, a um mandado de segurança. O desembargador do TRE, Alexandre Hermes Renato, atendeu ao recurso proibindo a veiculação de imagens do político, sob multa de R$ 3.000 por dia em caso de uso indevido.

Depois de mostrar a imagem de Campos em seu programa na estreia da propaganda eleitoral da televisão na tarde de ontem, Monteiro Neto, da Coligação Pernambuco Vai Mais Longe, teve de suprimir as mesmas imagens no programa da noite.

'AI-5'. Monteiro usou todo o tempo da propaganda, quase 5 minutos, para homenagear o ex-governador. Para o advogado da Coligação, Walber Agra, "proibir o uso de figura pública de ex-governador é retornar ao AI-5", afirmou ao destacar que o programa não denegriu ou apresentou inverdades. "É a primeira vez que uma homenagem sofre uma censura prévia", protestou.

Liberado. Já fora de Pernambuco, a imagem de Campos foi utilizada em programas eleitorais de candidatos a governador de, pelo menos, quatro das cinco regiões do País. No Nordeste, candidatos da Bahia, Ceará, Piauí, Alagoas, Maranhão e Ceará renderam homenagem ao pernambucano, assim como dois de Tocantins e um do Amazonas . Em São Paulo, dois candidatos ao governo, Alexandre Padilha (PT) e Laércio Benko (PHS), homenagearam Campos.

De fora. Em Minas Gerais, os dois principais candidatos ao Governo apostaram em estratégias distintas. Enquanto a campanha do petista Fernando Pimentel lançou mão da presidente Dilma Rousseff logo no primeiro programa, a equipe do tucano Pimenta da Veiga deixou de fora o presidenciável Aécio Neves, seu principal cabo eleitoral no Estado.

À frente em todas as pesquisas de intenção de voto, Pimentel colocou no ar parte de um discurso de Dilma, em uma das visitas ao Estado, criticando os adversários. Na fala, a presidente afirma que "Minas não tem dono", em referência indireta ao senador Aécio Neves, que vem mantendo seu grupo político no poder no Estado nos últimos 12 anos.

A campanha de Pimentel não deixou ainda de fazer crítica indireta a Pimenta da Veiga. No programa, um locutor destacou que Pimentel "não abandona Minas".

Os petistas criticam o fato de o candidato tucano ter apresentado na sua declaração de bens diversos imóveis em Goiás, em Brasília e nenhum no Estado.

Por sua vez, a equipe de Pimenta da Veiga buscou "apresentar" o tucano ao eleitor, lembrando que ele foi prefeito de Belo Horizonte e Ministro das Comunicações do presidente Fernando Henrique Cardoso. / COLABOROU ALEX CAPELLA

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