Justiça suspende reajuste de passagens autorizado por Bejani

Reajuste foi autorizado no início do ano passado pelo ex-prefeito de Juiz de Fora, preso pela Pasárgada

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2008 | 17h33

A Justiça determinou a suspensão do último reajuste no valor das passagens de ônibus em Juiz de Fora (MG), autorizado no início do ano passado pelo ex-prefeito Carlos Alberto Bejani, preso preventivamente e investigado pela Operação Pasárgada da Polícia Federal. A decisão da juíza substituta da Vara da Fazenda Pública Municipal, Maria Cecília Gollner Stephan, foi divulgada no final da tarde de quarta. Ela acatou liminar da Promotoria de Defesa do Consumidor da cidade e a tarifa foi reduzida em R$ 0,20 - de R$ 1,75 para R$ 1,55. O valor de R$ 1,55 voltou a vigorar desde as 23h55 de quarta-feira.  Bejani aparece em vídeos apreendidos pela PF supostamente negociando propina com o empresário Francisco Carapinha, o Bolão, proprietário de uma empresa do setor de transporte coletivo. As propinas, segundo investigações da PF, seriam pagas em troca de autorizações do então prefeito para reajustes no valor das passagens. Bolão também foi preso na Operação de Volta para Pasárgada, um desdobramento da ação inicial.  Da penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, onde está preso, Bejani renunciou ao cargo de prefeito na segunda-feira. Durante seu governo, o bilhete de ônibus subiu de preço três vezes, aumentando de R$ 1,20 para R$ 1,75.  As gravações apreendidas pela PF, conforme a juíza, seriam "a gota d'água" para a comprovação de irregularidades no valor anteriormente cobrado. No início do ano passado, a pedido do Ministério Público, uma perícia realizada por especialistas apontou o valor de R$ 1,39 como adequado para a passagem dos coletivos municipais. "Além dos relatórios técnicos de peritos da nossa confiança, nós tínhamos outras provas que restaram confirmadas pelas denúncias recentes", disse o promotor Carlos Ari Brasil. Durante a CPI na Câmara Municipal que investigou e indiciou Bejani por improbidade administrativa, o ex-prefeito foi acusado por um empresário de exigir, em 2004, R$ 200 mil de propina para cada centavo de aumento na passagem de ônibus da cidade.A assessoria da Associação das Empresas de Transporte de Juiz de Fora (Astransp) informou que a entidade entrou nesta quinta-feira, 19, com recurso no Tribunal de Justiça do Estado contra a decisão da Vara da Fazenda Pública Municipal.   Marretadas  Na quarta, policiais federais vasculharam o escritório do ex-prefeito em busca de dinheiro e documentos. A PF recebeu denúncia de que havia montantes escondidos em paredes falsas de duas salas usadas por Bejani no quarto andar de um prédio localizado na avenida Rio Branco, região central da cidade. Os agentes usaram marretas e quebraram paredes durante as buscas, mas nada foi encontrado. O delegado Mário Veloso, que preside o inquérito da Operação Pasárgada, acompanhou pessoalmente a ação, que, segundo ele, foi autorizada pela Justiça Federal. Apesar do insucesso da investida, a PF não descarta a possibilidade de o ex-prefeito ter-se utilizado do artifício da parede falsa para ocultar documentos e valores. Em abril, agentes federais encontraram na residência de Bejani R$ 1,120 milhão. Nas investigações, a PF colheu indícios de fraude na versão apresentada pelo prefeito para explicar a origem do montante apreendido. Esse foi um dos motivos para que fosse expedido um mandado de prisão preventiva contra ele.

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