Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Justiça suspende pesquisa de jornal do ABC a pedido de Skaf

Liminar impede divulgação de sondagem contratada pelo Diário do Grande ABC; campanha do PMDB fala em favorecimento ao PT

Ricardo Brandt, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2014 | 02h03

A campanha do candidato a governador de São Paulo pelo PMDB, Paulo Skaf, conseguiu na Justiça Eleitoral suspender temporariamente a divulgação de uma pesquisa feita em sete cidades do ABC paulista por encomenda do jornal Diário do Grande ABC sobre as disputas aos governos estadual e federal.

A coligação São Paulo Quer o Melhor alega favorecimento ao candidato do PT, Alexandre Padilha. "Tal pesquisa será utilizada indevidamente para alavancar a candidatura (do PT), que hoje sofre com a falta de recursos pela sua inanição nas pesquisas", registra o pedido, que ainda não teve o mérito analisado.

O juiz Marcelo Coutinho Gordo concedeu liminar suspendendo a divulgação, mas determinou que o levantamento continue a ser feito. O Diário do Grande ABC e o instituto DGABC Pesquisas terão que responder aos três pontos questionados por Skaf.

Procurado, o diretor de redação do jornal, Sérgio Vieira, considerou "inaceitável e preconceituosa" a atitude de Skaf de atribuir ao eleitor do ABC a condição de petista por ter sido a região o berço do partido. Afirmou também que a pesquisa continua a ser feita e que o jornal já entrou com recurso.

"É lamentável que em um processo democrático, um candidato que quer ser governador tentar censurar um levantamento sob o argumento estapafúrdio de que essa é uma região petista", afirmou Vieira.

Ontem, durante evento na Associação dos Oficiais da Polícia Militar de São Paulo, Skaf alegou que a campanha tomou a iniciativa porque o levantamento "era feito em poucas cidades e estranhamente estava sendo registrada como uma pesquisa estadual". "Você não pode ouvir algumas cidades, por mais importante que sejam, e considerar a representação do Estado", completou.

No pedido, a coligação argumenta também que o total de entrevistados por município não era proporcional e que a ordem dos questionamentos poderia induzir a resposta dos entrevistados. Os advogados de Skaf acrescentam que, por ser feita em uma região onde "tradicionalmente são fortemente votados, os candidatos do Partido dos Trabalhadores", ela não poderia ser apresentada como levantamento estadual.

O jornal do ABC, no entanto, já fez pesquisas desse tipo em 2010 e informou, ao publicá-las, que o levantamento era feito com eleitores das cidades de cobertura do impresso.

Em sua decisão, o juiz não avaliou o mérito dos questionamentos da coligação liderada pelo PMDB que apontam irregularidades - ele pediu que sejam explicados os três pontos questionados pela campanha e que sejam alterados, se houver algo irregular.

Questionado ontem sobre a ação movida pelo candidato do PMDB, Alexandre Padilha preferiu não comentar.

O peemedebista tem se colocado como terceira via entre os candidatos tucano e petista ao governo paulista, insistindo na postura de não dar espaço à presidente Dilma Rousseff em sua campanha presidencial. / COLABOROU VALMAR HUPSEL FILHO

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