Justiça suíça pode julgar fiscais do Rio

O caso dos fiscais cariocas que desviaram dinheiroaos bancos estrangeiros ganha um novo impulso na Justiça suíça. Informações obtidas com exclusividade pelo Estado apontam que, nesta semana, um dossiê sobre os brasileiros foi entregue ao juiz federal Paul Perraudin, em Berna, que iniciará investigações sobre as suspeitas de lavagem de dinheiro e decidirá se os fiscais devem ser formalmente acusados na Suíça. Perraudin foi o mesmo juizque, nos anos 90, investigou e conseguiu a condenação do ex-presidente mexicano, Carlos Salinas, por lavagem de dinheiro nos bancos suíços. O ex-subsecretário de Administração Tributária no governo Anthony Garotinho (PSB), Rodrigo Silveirinha Corrêa, e outros oito fiscais foram inicialmente acusados de terem transferido US$ 33,4 milhões ilegalmente para o Discount Bank, comprado mais tarde pelo banco UBP de Genebra. Em novembro, porém, o Ministério Público da Suíça anunciou que concluiu suas investigações preliminares sobre as transferências de dinheiro dos fiscais e, entre os resultados da enquete, um novo elemento: o esquema na Suíça era maior do que se pensava. Segundo as conclusões da investigação, 24 pessoas podem estar envolvidas no escândalo de lavagem de dinheiro e US$ 41,6 milhões (55 milhões de francos suíços) teriam sido levados do Brasil para contas na Suíça.Segundo Berna, as contas no país foram "usadas para transferir fundos de origem suspeita para a Suíça". Essas contas também seriam utilizadas para " depois recuperar o dinheiro no Brasil". Agora, caberá ao juiz de Berna iniciar as investigações formais na Justiça suíça com base nessas conclusões. Perraudin decidirá se os acusados devem ser processados no país por lavagem de dinheiro e se um mandato internacional de prisão deve ser emitido. O próprio Ministério Público suíço já reconheceu que existem indícios de lavagem de dinheiro com origem em "atos de corrupção noBrasil". Em Berna, ninguém se arrisca a dizer quanto tempo pode levar para que os juizes condenem os suspeitos. O Union Bancaire Privé (UBP), instituição que comprou o Discount Bank, garantiu que "prestará toda a ajuda necessária à justiça suíça no caso". Segundo seu porta-voz, quatro funcionários do banco que tiveram alguma relação com o caso estão suspensos e, caso o processo os condene, serão demitidos da instituição. Uma dessas pessoas seria Herry Rosemberg, o representante do Discount Bank noBrasil. O UBP também informa que, apesar de estarem suspensos, seus salários continuam sendo pagos. Quando o escândalo foi anunciado, no ano passado, o UBP se apressou para declarar à imprensa que teria sido o próprio banco quem teria informado ao governo suíços das irregularidades. Informações dadas a este jornal por altas fontes da polícia de Genebra, porém, revelam que a história foi outra.Durante uma investigação de surpresa ao banco no meio da madrugada, o ex-precurador de Genebra, Bernard Bertossa, descobriu as irregularidades nas contas dos fiscais, o que poderia gerar um processo criminal contra o banco por estar encobrindo um caso de lavagem de dinheiro. Para acertar a questão, a instituição financeira aceitou prestar ajuda à Justiça como forma de compensar por não terrevelado as irregularidade como deveria ter feito.

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