Justiça suíça liga família Maluf a 12 contas

O ex-prefeito Paulo Maluf e seus familiares foram beneficiários ou titulares de um conjunto de 12 contas investigadas pela Justiça de Genebra. A informação faz parte das sentenças do Tribunal Federal da Suíça, que não acolheu recursos da família Maluf contra a liberação de documentos bancários que podem incriminar o ex-prefeito por evasão de divisas, lavagem de capitais e sonegação fiscal. Além de Maluf, as contas envolvem os nomes de seus filhos Flávio e Lígia, e o marido dela, Maurílio Curi. Os suíços identificaram duas contas no Citibank de Genebra onde Maluf não aparece como titular, mas como "detentor dos direitos". Uma conta foi aberta em 5 de julho de 1985 e fechada em 11 de junho de 1997, quando já não tinha dinheiro depositado. A conta estaria em nome da empresa Red Ruby, sucessora da Blue Diamond, offshore constituída nas Ilhas Cayman. A segunda conta foi aberta em 21 de dezembro de 1990 e fechada em 22 de outubro de 1998 em nome de uma fundação, tendo Maluf como beneficiário. Outra revelação se refere ao fato de que nem todas as contas da família na Suíça foram fechadas. Uma delas foi aberta em 15 de fevereiro de 1994 e tem Flávio Maluf como seu detentor de direitos. Outras três contas estão em nome de Lígia Maluf. Funcionários do Ministério Público de Berna indicam que essas contas estariam congeladas sob suspeita de "camuflar fundos". Defesa Todas essas informações chegarão ao Brasil nos próximos dias e servirão de base para que os procuradores da República e promotores de Justiça possam avançar com as investigações sobre Maluf. Os advogados do ex-prefeito ensaiam uma defesa baseada na prescrição dos eventuais crimes, argumento que também foi usado pela defesa de Maluf para tentar evitar que os documentos sobre suas movimentações bancárias fossem enviados ao Brasil. Os suíços, porém, recusaram o argumento. As sentenças mostram que os procuradores federais brasileiros Pedro Barbosa Pereira Neto e Denise Neves Abade apresentaram aos suíços indícios de que a Prefeitura paulistana, na administração Maluf, teria emitido recibos falsos de US$ 700 mil para a construtora encarregada da obra do túnel Ayrton Senna. Parte desse montante teria sido desviado, assim como verbas destinadas às obras da Avenida Água Espraiada. Suposta fraude na emissão de títulos para pagamento de precatórios judiciais - operação que teria gerado prejuízo de US$ 600 milhões aos cofres municipais - foi citada nas sentenças. A Justiça suíça concluiu que os procuradores brasileiros apresentaram dados que indicam que "Maluf e seus comparsas estabeleceram um sistema destinado a contornar a legislação relativa aos precatórios com o objetivo de obter fundos a que não tinham direito e para fins pessoais".

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