Justiça suíça abre processo contra Maluf

A Justiça da Suíça determinou a abertura de um processo de instrução para investigar as movimentações bancárias do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) naquele país. A abertura do processo foi anunciada oficialmente para a promotoria da Cidadania do Ministério Público de São Paulo por meio de um ofício enviado por fax, no final da semana passada, pelo procurador Geral do Cantão de Genebra, Jean Louis Crochet.No ofício, Crochet informou que o juiz de instrução Claude-François Wanger foi designado para presidir o caso. O processo de instrução é a segunda fase das investigações sobre Maluf conduzidas pela Justiça suíça. O próprio Crochet conduziu inquérito preliminar sobre os supostos depósitos bancários de Maluf. O resultado destas investigações é confidencial.Promotores do Ministério Público paulista tentam obter, por via diplomática, acesso a estas informações. O promotor da Cidadania, Silvio Antônio Marques, estuda a legislação da Suíça sobre o assunto e a legislação internacional de cooperação para pedir, oficialmente, acesso às informações já obtidas pelo procurador Geral de Genebra sobre Maluf.No ofício em que comunica a abertura do processo de instrução, Crochet detalha para os promotores paulistas as medidas que eles devem tomar para ter acesso judicial às informações bancárias de Maluf naquele país. As informações só podem ser requeridas por via diplomática.No mês passado, o Ministério da Justiça requisitou informações sobre supostas movimentações bancárias de Maluf ao governo suíço, atendendo pedido do Ministério Público Federal em São Paulo, que também investiga o ex-prefeito. O governo suíço, em resposta, pediu informações mais completas sobre as acusações contra Maluf que existem na Justiça brasileira.O advogado de Maluf, Ricardo Tosto, minimizou a importância do comunicado de Crochet. "Estas investigações já estavam em curso e não existe nada de novo nelas", afirmou Tosto. Segundo o advogado, a Justiça suíça investiga Maluf "apenas por causa" dos ofícios enviados a Crochet pelos promotores paulistas. "Meu cliente já afirmou e continua afirmando que nunca teve contas na Suíça ou em qualquer outro paraíso fiscal", disse Tosto.

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