Justiça solta todos os presos da Operação Concutare

Investigação apura pagamento de propinas a agentes públicos, feito por empresários e despachantes, para acelerar licenciamento ambiental ou aprová-lo mesmo com irregularidade

Elder Ogliari - Agência Estado,

03 de maio de 2013 | 20h12

PORTO ALEGRE - A Justiça Federal decidiu soltar todos os presos da Operação Concutare da Polícia Federal na tarde desta sexta-feira, 3, em Porto Alegre. A investigação apura pagamento de propinas a agentes públicos, feito por empresários e despachantes, para acelerar processos de licenciamento ambiental ou aprová-los mesmo com irregularidade.

Na segunda-feira, 29, foram cumpridos 18 mandados de prisão temporária, que venciam nesta sexta-feira. Ao longo da semana, oito dos suspeitos foram liberados depois de prestarem depoimentos. Os outros dez deixariam o Presídio Central de Porto Alegre no início da noite. Entre eles estavam o ex-secretário estadual do Meio Ambiente, Carlos Fernando Niedersberg (PC do B), o ex-secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia (PMDB), ambos afastados de seus cargos logo que foram presos, e o consultor Berfran Rosado (PPS), que havia ocupado a pasta estadual no governo de Yeda Crusius (PSDB).

Sob a alegação de evitar influência ou pressão dos envolvidos sobre testemunhas que serão ouvidas nos próximos dias, a Polícia Federal queria a prorrogação, por mais cinco dias, das prisões temporárias, mas a juíza federal Karine da Silva Cordeiro, da 1ª Vara Federal Criminal de Porto Alegre, entendeu que não havia motivo para tal. Sustentou, em seu despacho, que, estando os ex-secretários afastados de seus cargos, "restaria diluída a influência tanto das autoridades citadas quanto dos consultores do Instituto Biosenso (de Rosado) sobre os servidores subalternos".

Pouco depois da decisão da Justiça, os delegados Roger Cardoso e Renato Arruda, da Polícia Federal, fizeram um balanço da operação e informaram que todos os 18 suspeitos presos temporariamente e mais quatro empresários estarão entre os indiciados ao final do inquérito por crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Na semana que vem a Polícia Federal seguirá tomando depoimentos de possíveis envolvidos e testemunhas e admite recorrer a pedidos de prisão preventiva se alguém tentar atrapalhar a investigação. "Acreditamos que o número de indiciados pode chegar a 50", revelou Cardoso. Um grupo de peritos vai avaliar danos ambientais de projetos aprovados com irregularidades. "Queremos quantificar em valores monetários quanto a natureza foi atingida para que os responsáveis tenham que arcar com isso de alguma maneira", adiantou o delegado.

Cardoso também reiterou que "há provas indiscutíveis" contra os 18 que ficaram presos durante a semana e admitiu que há um quebra-cabeças a montar para apontar mais envolvidos. Por fim, comentou declarações dos advogados de defesa dos suspeitos, que afirmaram que as provas existentes são fracas e inconsistentes. "A pressão faz parte do jogo", avaliou. "Se um advogado (de defesa) dissesse que as provas (contra seu cliente) são muito fortes seria o fim do mundo".

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