Justiça reconhece união homossexual e dá visto a estrangeiro

A Justiça Federal em Curitiba reconheceu a união estável entre o inglês David Ian Harrad e o brasileiro Toni Reis, que vivem juntos há 13 anos, e concedeu liminarmente visto de permanência no Brasil para Harrad. O visto de trabalho, que Harrad precisava renovar regularmente, venceu no dia 23 e ele corria o risco de ser expulso do País. "É um alívio muito grande", comemorou o inglês, que trabalha como tradutor. "Me senti mais cidadão, porque foi aplicada a Constituição", afirmou Reis, um dos principais líderes do movimento em defesa dos direitos dos homossexuais no Paraná.Em 1996 Harrad chegou a ser preso pela Polícia Federal como clandestino e ameaçado de extradição. Na época, a mãe de Reis ofereceu-se para casar com Harrad, para garantir a permanência dele no País. "Agora não vamos mais precisar usar subterfúgios, do jeitinho brasileiro e ajuda de amigos no governo", disse Reis.O tratamento diferente dado a casais hetero e homossexuais foi um dos argumentos utilizados pela advogada Silene Hirata para obter a liminar da juíza Ana Carolina Morozowski. "O Conselho Nacional de Imigração concede o benefício do visto de permanência para um dos cônjuges que seja estrangeiro, no caso de casal heterossexual com união estável", disse. "Os homossexuais devem ser respeitados como iguais, pois ninguém pode ser privado de viver com quem ama só por ser do mesmo sexo."

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