Justiça recebe 2ª denúncia contra Cachoeira e manda recolher passaporte

Ação é relativa à exploração de jogo ilegal em Goiás; juiz ainda não analisou pedido de prisão preventiva do contraventor, liberado nessa semana por decisão de outro processo

Fernando Gallo, de O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2012 | 12h13

GOIÂNIA - A Justiça Federal recebeu nessa quarta-feira, 21, a segunda denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o contraventor Carlinhos Cachoeira, tornando-o réu em nova ação penal relativa à Operação Monte Carlo, que trata de um esquema criminoso de exploração de jogos em Goiás. O juiz que recebeu a denúncia, contudo, não analisou os pedidos de prisão preventiva de Cachoeira e de outras cinco pessoas, o que fará após manifestação das defesas dos réus.

 

A Justiça, porém, já determinou o recolhimento do passaporte de Cachoeira e dos outros acusados, a proibição de viagens ao exterior e a proibição de viagens, sem comunicação ao judiciário, a qualquer cidade fora de onde vivem - se quiser viajar, por exemplo, para Anápolis, sua terra natal e cidade onde vive seu pai, Cachoeira tem de pedir autorização judicial.

 

A nova denúncia foi oferecida pelo MPF após informações colhidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) que, segundo o procurador Daniel de Resende Salgado mostraram que o grupo de Cachoeira continuava a agir mesmo após a prisão do contraventor. "O grupo criminoso continuava atuando da mesma forma que atuava antes da operação Monte Carlo. Entendemos que houve uma reiteração da atividade criminosa", disse ele, afirmando que a atividade era no "mercado ilícito de jogos".

 

De acordo com Salgado, após a prisão de Cachoeira uma parte do grupo parou de atuar em Goiânia e passou a trabalhar o jogo em Brasília. "Houve uma migração de parte da organização criminosa, e de forma mais intensa para a capital federal". Ele afirmou ainda que a Monte Carlo promoveu "uma desarticulação do grupo, mas ela não foi total". "Há possibilidade de rearticulação do grupo criminoso".

 

O procurador afirmou que a soltura do contraventor "é uma clara violação à ordem pública", e disse, ao ser indagado se o novo pedido de prisão tinha relação com a soltura de Cachoeira ou já estava programado, que "o Ministério Público também precisa trabalhar estrategicamente". Salgado declarou, no entanto, que o MPF aguardava laudos periciais e uma reinarias das estruturas de poder da organização para ofertar a nova denúncia.

 

Apesar de sustentar que Cachoeira era o "grande articulador" e o "grande mentor" do grupo, o procurador disse que "as investigações não chegaram a constatar atuação ostensiva por parte de Cachoeira de dentro da penitenciária. De acordo com Salgado, a organização supostamente criminosa funcionava como uma empresa, e cada uma de suas partes sabia quais eram suas atribuições mesmo sem ordens explícitas do contraventor.

 

Novo julgamento. Na próxima terça-feira, 27, o pleno da 3ª turma do Tribunal Regional da 1ª Região deve julgar a liminar que permitiu a soltura de Cachoeira referente à operação Monte Carlo - nesta semana ele foi solto após decisão judicial referente à operação Saint Michel. O desembargador Tourinho Neto mandou soltar Cachoeira por considerar ter havido "excesso de prazo" , e não determinou nenhuma medida cautelar. Se o pleno decidir reverter a decisão, Cachoeira terá de voltar para a prisão.

 

 

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