Alex Silva/Estadão
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Justiça quebra sigilos de Eduardo Tuma, ex-secretário de Covas

Atualmente no cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Município, ele é investigado por suspeita de enriquecimento ilícito

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

16 de março de 2021 | 20h00

A 6.ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do conselheiro do Tribunal de Contas de São Paulo (TCM-SP) Eduardo Tuma. Ele é investigado pelo Ministério Público Estadual (MP-SP) por suspeita de enriquecimento ilícito entre os anos de 2012 e 2018, período em que foi vereador pelo PSDB na cidade de São Paulo. Tuma também foi secretário da Casa Civil do prefeito Bruno Covas (PSDB) em 2018.

O conselheiro já havia tido parte dos seus sigilos quebrados a pedido do MP-SP, mas os dados recebidos pelos promotores não eram de todo o período que interessava à investigação – foi apenas referente ao ano de 2012. Em novo pedido à Justiça, entretanto, a obtenção dos dados entre 2012 e 2018 havia sido negada – o que fez o MP recorrer à 6.ª Câmara de Direito Público, que agora atendeu ao pedido.

Tuma, segundo o MP, teve o patrimônio multiplicado por 23 a partir de 2012, quando foi eleito vereador pela primeira vez. Naquele ano, Tuma declarou ter patrimônio de R$ 89 mil, e os bens do conselheiro passam de R$ 2 milhões. O ex-parlamentar, eleito com a associação ao tio, o ex-delegado da Polícia Federal e senador Romeu Tuma, teve entre os evangélicos sua principal base de apoio.

Durante as investigações, o conselheiro afirmou que o crescimento patrimonial não era ilícito, mas sim fruto de dois empréstimos feito por seu pai, Renato Tuma, falecido em 2019. O pai do conselheiro era servidor da Câmara Municipal de São Paulo e trabalhou como secretário de Administração na gestão Celso Pitta (1997-2000) na prefeitura paulistana.

A nova quebra de sigilo inclui também as movimentações bancárias e dados fiscais do pai. “A quebra do sigilo bancário e fiscal dos investigados é essencial para a apuração de eventual ato de improbidade administrativa cometido pelo vereador, que pode ter gerado o enriquecimento ilícito e o prejuízo ao erário municipal”, escreveu a desembargadora Silvia Meirelles, relatora do caso, no processo que corre em segredo de Justiça.

“Se os agravados não têm nada a temer e pretendem colaborar com as investigações, não há sequer razão para se insurgirem contra a quebra de seu sigilo bancário e fiscal”, complementou a desembargadora.

O Estadão procurou Tuma por meio da assessoria de imprensa do Tribunal de Contas de São Paulo na segunda-feira, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

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