Justiça quebra sigilo de Waldomiro em inquérito sobre lavagem

Pela segunda vez em nove dias, o ex-presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro e ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz teve seu sigilo bancário e fiscal quebrado pela Justiça em investigações de supostas irregularidades na autarquia. A decisão foi tomada hoje pela juíza-substituta da 5ª Vara Federal Criminal, Margareth Rostey, em inquérito da Polícia Federal que apura indícios lavagem de dinheiro e outros crimes no Bingo Scala, no qual também decretou a quebra do sigilo telefônico. Outro ex-presidente da Loterj, Daniel Homem de Carvalho, foi atingido pela decisão. O inquérito também investiga os empresários Francisco Recarey Vilar e Antonio Vilar Marona. Além da lavagem de dinheiro, a PF apura indícios dos crimes de sonegação fiscal, apropriação indébita, contrabando, corrupção ativa, corrupção passiva e prevaricação (quando servidor deixa de cumprir o dever). Presidida pelo delegado federal Hebert Reis Mesquita, a apuração encontrou supostos indícios de que, em lugar de pagar 7% da arrecadação bruta à sua mantenedora (no caso, a Federação Aquática do Rio), como determinava a legislação, o Scala recolhia apenas um valor fixo, R$ 26 mil. ?Apesar de poder fiscalizar os bingos, a Loterj era totalmente omissa?, disse Vagos. ?Queremos saber se aconteceu apenas prevaricação ou se foram além, por exemplo, na corrupção.? Segundo ele, com a quebra dos sigilos, será possível tentar estabelecer essas conexões, vendo o nível de relacionamento dos investigados. A investigação existe desde 2001. Em 2003, em operação com mandado judicial de busca e apreensão na sede da Loterj, foi recolhida grande quantidade de documentos. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região, contudo, determinou, por medida liminar, a devolução da documentação, numa medida que revoltou o Ministério Público Federal, que a considerou prejudicial para a apuração.

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