Justiça quebra sigilo de empreiteiras

O Departamento de Inquéritos Policiais da Justiça de São Paulo decretou a quebra do sigilo bancário da Lavicen Construções e Locação de Máquinas e Terraplanagem, empresa acusada de servir de fachada para o desvio de verbas durante a construção do Túnel Ayrton Senna, em São Paulo, durante as gestões de Paulo Maluf (PPB) e Celso Pitta (PTN) na prefeitura paulista. A quebra de sigilo atinge também a Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO) e a Constran, construtoras que recebiam da prefeitura e pagavam a Lavicen por serviços que o Ministério Público Estadual (MPE) suspeita que nunca tenham sido realizados.O pedido de quebra de sigilo foi feito pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, que pediu a abertura de inquérito para investigar corrupção e desvio de dinheiro da prefeitura durante a construção do Túnel Ayrton Senna.O Gaeco havia sido afastado, no mês passado, das investigações sobre supostos depósitos de Maluf na Suíça e no paraíso fiscal da Ilha de Jersey, depois que Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o caso era da competência da Ministério Público Federal (MPF). No início de novembro, o Gaeco voltou à carga e pediu a abertura do inquérito, que vinha sendo mantido em sigilo até hoje, para investigar desvio de dinheiro e corrupção durante a construção do túnel.A Lavicen, com sede na cidade de Altônia, no Paraná, atuava como empresa subcontratada para, supostamente, atuar nas obras. Investigações feitas no Paraná revelaram que a Lavicen é uma empresa fantasma. Mesmo assim, apenas durante o ano de 96 da gestão Maluf, a empresa recebeu R$ 14 milhões e, em 97, na gestão Pitta, R$ 5,5 milhões por supostos serviços realizados nas obras do túnel.Com a quebra do sigilo, o Gaeco quer saber qual foi o destino do dinheiro pago pelas construtoras para a Lavicen. Um dos sócios da empresa, Lavino Kill, é um sapateiro semi-analfabeto, que foi usado como "laranja" e nunca soube da existência da empresa. Outro, Gonçalves Pereira, processado por estelionato no Paraná, nunca apresentou indícios de ter movimentado os milhões de reais que caíram nos cofres da Lavicen.

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