Justiça prorroga permanência de famílias na fazenda Abrahão

As 215 famílias acampadas na fazenda Abrahão, em Taubaté, no Vale do Paraíba, poderão ficar na área invadida por mais 150 dias. O prazo foi definido nesta terça-feira, em uma audiência de conciliação, realizada na 3ª Vara Cível de Taubaté, pela juíza Márcia Rezende Barbosa Oliveira.Da audiência participaram, além de representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Cooperativa Agrícola de Cotia, proprietária da fazenda, técnicos do Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) e do Instituto de Terras do Estado de São Paulo ? Itesp.Segundo o superintendente estadual do Incra, Geraldo Leite, o prazo de 150 dias será suficiente para que o Itesp realize uma vistoria em seis fazendas apontadas pelos sem-terra como improdutivas. ?O Incra se comprometeu a fazer esta vistoria para definir qual será o futuro dessas famílias.?Ainda segundo Leite, a pedido do Ministério Público, o Itesp vai realizar na próxima semana uma vistoria na fazenda Abrahão, para verificar se a ocupação está realmente prejudicando a criação de gado, feita pelo arrendatário da terra, Adalberto Abrahão.Antes da audiência, o superintendente visitou a área onde estão as 215 famílias e a considerou ?abandonada?. ?Pelos galpões que estão quase caindo, pelas construções abandonadas e pelo pasto sem plantio, podemos considerar, na minha opinião, que o local seria passível de um processo de desapropriação.?A área não pode ser vistoriada por pelo menos dois anos, segundo Medida Provisória de 2001, que diz que áreas invadidas não serão verificadas pelo Incra. Leite não descartou a hipótese de a fazenda Abrahão ser alvo de vistoria depois do período de dois anos, a partir da saída das famílias.?A fazenda poderá ser objeto de fiscalização, já que tem áreas abandonadas?. O advogado do MST José Denis Marques informou que a decisão da audiência foi uma vitória para os acampados. ?O balanço é tão positivo que a própria fazenda Abrahão poderá ser alvo de vistoria.?Ele informou que as famílias vão continuar na área até que o Incra realize fiscalização em outras fazendas. Para Valdemir Nascimento, líder do acampamento em Taubaté, a decisão judicial ?foi um avanço?. Ele disse que uma das atitudes do grupo será a arrecadação de alimentos para que as famílias possam continuar lutando pela terra.O arrendatário da terra, Adalberto Abrahão, ficou decepcionado com a decisão judicial. Desde a invasão em sua fazenda, ele mantém as 180 cabeças de gado confinadas em uma área de menos de três alqueires. ?O gado está emagrecendo, e estou tendo um enorme prejuízo. Eu não posso trabalhar na minha casa e estou sendo ameaçado?.Abrahão está na área há sete anos, afirma que gera emprego para seis famílias e produzia 500 litros de leite por dia. ?Agora caiu para 300. E meu investimento?? questiona.

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