Justiça proíbe Maluf de viajar com a mulher para França

A Justiça proibiu nesta segunda-feira a viagem para a França do ex-prefeito Paulo Maluf e sua mulher, Sylvia. A decisão foi tomada pelo desembargador Higino Cinacchi Júnior, do Tribunal Regional Federal. Ele cassou liminarmente ato da juíza Silvia Maria Rocha, da 2.ª Vara Federal, que na semana passada havia autorizado a viagem do casal Maluf. Contra a ordem da juíza, insurgiu-se o procurador da República Rodrigo de Grandis. Ele sustentou que é temerário permitir que Maluf viaje para um País onde tem dinheiro bloqueado. Por meio de mandado de segurança ao TRF, o procurador alertou para o fato de que os ativos do ex-prefeito foram depositados clandestinamente em Paris. "É lavagem de dinheiro", destacou Rodrigo de Grandis.Maluf pretendia viajar nesta quarta-feira. Tinha planos de ficar 10 dias na França. Ele é acusado pelo Ministério Público de ter remetido US$ 446 milhões para a Suíça, dinheiro supostamente desviados dos cofres públicos municipais durante sua gestão na Prefeitura (1993-1996). Maluf já havia pedido outras vezes autorização para viajar ao exterior, mas a Justiça não permitiu. Desta vez, a juíza Silvia Rocha - mesma magistrada que, em setembro, decretou a prisão preventiva de Maluf e do filho mais velho dele, Flávio -, concordou com a viagem do ex-prefeito e da mulher dele. Mas o desembargador Higino Cinacchi Júnior, do TRF, cassou a decisão da juíza, entendendo que os argumentos da Procuradoria da República são "relevantes" e que a medida - revogação da ordem de primeira instância - exigia urgência.AberraçãoAdílson Laranjeira, assessor de imprensa do ex-prefeito, afirmou, por meio de nota, que considera a decisão da Justiça "é arbitrária, injustificável, ilegal e absurda". Segundo ele, Paulo Maluf entregou de livre e expontânea vontade seu passaporte a Justiça e nunca se negou a comparecer a nenhum interrogatório, tanto da Justiça, como do Ministério Público, em CPI ou na PF. A decisão ora tomada constitui uma aberração jurídica. Maluf está condenado ao exílio em seu próprio país", diz Laranjeira na nota.

Agencia Estado,

23 de janeiro de 2006 | 17h35

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