Justiça processa suposto doleiro de Maluf

Birigui é acusado de enviar US$ 4,2 milhões para conta nos EUA

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2009 | 00h00

A Justiça Federal abriu processo criminal contra o doleiro Vivaldo Alves, o Birigui, por evasão de divisas entre 1999 a 2002, período em que ele transferiu US$ 4,2 milhões para uma conta no Safra National Bank of New York. Birigui ficou conhecido em 2005 quando o Ministério Público Federal o acusou de ser o doleiro do ex-prefeito Paulo Maluf (1993-1996) e de seu filho Flávio Maluf.Maluf e Flávio acabaram presos por ordem judicial, em 2005. Ligações telefônicas interceptadas por determinação da Justiça Federal revelaram que o ex-prefeito e o filho teriam planejado coagir o doleiro para que ele não falasse nada em processo aberto contra ambos na 2ª Vara Criminal.A suposta coação, que Maluf sempre negou, teria ocorrido no curso de investigação que o envolvia em evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Acolhendo manifestação da Procuradoria da República, a Justiça decretou a prisão de Maluf e de Flávio.A ação contra Birigui, aberta quarta-feira, foi instaurada com base em denúncia da procuradora da República Adriana Scordamaglia. Conforme o novo Código de Processo Penal, o juiz da 2ª Vara, Marcio Ferro Catapani, recebeu a acusação e abriu prazo para defesa prévia do acusado, que terá 10 dias para se manifestar após a citação.Adriana revelou que a origem da investigação contra Birigui foi a Operação Farol da Colina, de 2004. Na ocasião, a Polícia Federal prendeu 63 doleiros estabelecidos em 9 Estados que operavam sem autorização do Banco Central.Documentos apreendidos pela Polícia Federal mostraram que Birigui, sua mulher e uma filha do casal eram titulares da conta "Ugly River", no Safra National Bank of New York. Papéis bancários enviados por autoridades americanas atestaram que a conta apresentava constante movimentação financeira.A mulher do doleiro declarou que a conta "Ugly River" era administrada exclusivamente por Birigui. O Ministério Público Federal não a denunciou, nem sua filha, porque o inquérito policial concluiu que elas nunca administraram a conta.Para Adriana, autora da denúncia, manter contas no exterior é lícito, desde que declaradas ao Fisco. A procuradora examinou as declarações de Birigui relativas aos exercícios de 2000 até 2003 e constatou que não existe nenhuma referência à conta nos Estados Unidos.O crime de evasão de divisas, previsto na Lei 7.492/86 (Colarinho Branco), pode ser punido com pena de 2 anos a 6 anos de reclusão.

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