Justiça pede explicação sobre suposta ajuda a Viana

O corregedor da Justiça Eleitoral, Aldir Passarinho, pediu explicações ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) sobre a suspeita de que a juíza Arnete Guimarães teria agido para beneficiar o senador recém-eleito Jorge Viana (PT-AC), como revelou hoje o jornal O Estado de S. Paulo.

FELIPE RECONDO, Agência Estado

22 de outubro de 2010 | 19h13

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público (MP) investigam a suspeita de que Viana teria comprado votos nas eleições. A Justiça autorizou a busca e apreensão no escritório político da campanha, mas uma liminar dada pela juíza obrigaria a PF a devolver os computadores e a destruir qualquer prova que tivesse sido encontrada. O MP recorreu da decisão e conseguiu que a PF permanecesse com as informações contidas em dois notebooks, três discos rígidos de outros computadores e cinco pen drives.

O pedido de explicações ao TRE-AC levou a juíza a se declarar suspeita neste caso e a se afastar do processo. De acordo com investigadores, ela teria conversado com Jorge Viana antes de deferir a liminar para a devolução dos computadores e destruição de possíveis provas. Viana negou que tenha conversado com Arnete Guimarães e afirmou que sua campanha correu "100% dentro da legalidade". Ele levantou dúvidas sobre a legalidade da operação da PF, baseada numa denúncia anônima. "É possível que pessoas que deveriam guardar a Constituição e as leis possam estar agindo ao arrepio de ambas. Mas este é um assunto para a Justiça", afirmou.

Viana também negou as suspeitas de que tivesse reunido em seu escritório listas com nomes de eleitores e números dos respectivos títulos e locais de votação. "Jamais realizei qualquer ato contrário à legislação eleitoral no curso da minha campanha para a eleição ao Senado pelo Estado do Acre", disse. "Ao contrário do que é informado na reportagem, jamais mantive contato pessoal ou por telefone ou qualquer outro meio com a desembargadora Arnete Guimarães para tratar do conteúdo do mandado de segurança, assim como qualquer pessoa vinculada a mim. Fui representado exclusivamente por intermédio de meus advogados em todos os procedimentos judiciais relacionados ao caso", acrescentou.

Viana relatou que os agentes da PF entraram em seu escritório de campanha na madrugada do sábado, na véspera da eleição do dia 3. Esses policiais, de acordo com ele, disseram não ter encontrado qualquer indício de irregularidade. E afirmou que nenhuma suspeita foi levantada contra sua campanha durante as eleições.

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