Justiça ouve depoimento de 4 testemunhas de defesa

A Justiça Federal em São Paulo deu início ontem à maratona de depoimentos de 96 testemunhas de defesa no processo do mensalão - suposto esquema de compra de votos de parlamentares da base aliada do governo no Congresso. A juíza Silvia Rocha, da 2ª Vara Criminal Federal, ouviu primeiramente oito testemunhas de Ayana Tenório, ex-vice-presidente do Banco Rural, e de Breno Fischberg, ex-sócio da corretora Bonus Banval - ela acusada por quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro; ele por quadrilha e lavagem.Todas as testemunhas estão depondo por carta de ordem expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita a ação contra 40 acusados. Até o dia 5 de junho, Silvia e seu colega, Marcio Cattapani, deverão ouvir doleiros, empresários, publicitários, investidores e deputados arrolados pela defesa dos réus do mensalão.O escândalo foi a crise de maior repercussão do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em junho de 2005, o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) - que foi cassado - denunciou o caso. Réu na ação do STF, Jefferson pediu que Lula fosse incluído na sua lista de testemunhas, mas ainda aguarda resposta.Também serão ouvidos o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (testemunha arrolada por Jefferson e pelo também ex-deputado José Janene) e o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos (testemunha do ex-ministro José Dirceu).Fernando Henrique deveria ser ouvido nesta semana, mas seu relato foi remarcado para o dia 4 de junho.Todos os depoimentos estão sendo tomados a portas fechadas. O procurador da República Rodrigo de Grandis acompanha as audiências.A maioria das testemunhas é de antecedentes - não estão depondo sobre os fatos. "O recebimento da denúncia contra Ayana Tenório representa a adoção da responsabilidade objetiva em direito penal, o que é repudiado pela doutrina e pela jurisprudência", declarou o advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira, defensor da ex-vice-presidente do Rural. "Ela foi denunciada exclusivamente porque ocupava um cargo na diretoria da instituição financeira. Tanto isso é verdade que nenhum fato incriminador lhe é imputado."

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