Justiça ouve amanhã o bicheiro João Arcanjo Ribeiro

O juiz federal Julier Sebastião da Silva começa a ouvir nesta segunda-feira, dia 13, os depoimentos do bicheiro João Arcanjo Ribeiro, extraditado no sábado do Uruguai para o Brasil. Na extensa lista de crimes atribuídos ao Comendador, a Justiça quer esclarecer o envolvimento dele em pelo menos oito homicídios só em Mato Grosso.Há dezenas de outras acusações contra ele. Por medidas de segurança, o bicheiro deve ser transferido para outro Estado nos próximos dias, informou a Polícia Federal. Arcanjo é investigado pela CPI dos Bingos e pelo Ministério Público Federal por supostas ligações com os assassinos do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel. Foi citado na CPI do Banestado por crime contra o sistema financeiro. A CPI foi encerrada com dois relatórios: um do PT, do relator, deputado José Mentor (SP) e outro do PSDB, do presidente e senador Antero Paes de Barros (MT).Acolhendo representação do Ministério Público, o juiz também quer esclarecer a participação do bicheiro no financiamento da campanha do PSDB em Mato Grosso em 2002. O contador do bicheiro, Luiz Dondo Gonçalves, confirmou à Justiça que o superintendente do Grupo Gazeta de Comunicação (rádio, jornal e TV), João Dorileo Leal, repassava os recursos que recebia de Arcanjo aos cofres da campanha derrotada do senador Antero ao governo do Estado. O dinheiro, no valor de R$ 2,3 milhões, era repassado para Dorileo via cinco factorings (uma empresa que desconta duplicatas, promissórias e cheques) do Comendador, caracterizando crimes como os de lavagem de dinheiro, além de uso de caixa 2.Frágil segurança do bicheiroA assessoria de imprensa do senador informou que as "declarações do juiz são sempre as mesmas e que não há provas nenhuma contra o tucano". Procurado pelo Estado, João Dorileo Leal não foi localizado. Em suas empresas, ninguém foi autorizado a dar declarações.O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso, Francisco Faiad, teme pela segurança do bicheiro na ala federal do Presídio Pascoal Ramos, em Cuiabá. "Temos vários exemplos de fugas, inclusive pela porta da frente", lembrou ele.O Comendador Arcanjo Ribeiro ficará 30 dias isolado numa cela individual, sem direito a receber visitas. Apenas seus advogados poderão manter contato, com agendamento prévio, informou o superintendente do sistema prisional do Estado, Domingos Sávio Grosso.

Agencia Estado,

12 de março de 2006 | 18h59

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