Justiça nega habeas-corpus ao filho da governadora do RN

Lauro Maia é acusado de participar de fraude em licitações e seguirá preso com outras dez pessoas

EVERTON DANTAS, Agencia Estado

14 de junho de 2008 | 12h05

A Justiça negou habeas-corpus ao filho da governadora do Rio Grande do Norte, Lauro Maia, que continuará preso. Não há previsão sobre quando ele será ouvido e, possivelmente, liberado. O advogado de Maia, Erick Pereira, informou que irá entrar com novo habeas-corpus e com isso obter a liberação do filho de Wilma de Faria (PSB). Na última sexta, a Polícia Federal deu continuidade aos depoimentos. Junto com Maia permanecem presas outras 11 pessoas, inclusive o empresário Mauro Bezerra da Silva (da empresa Líder), o último dos 13 envolvidos a ser preso, na Paraíba. Todos são acusados de envolvimento num suposto esquema de fraude em licitações e desvio de dinheiro público.   Veja também: Fraude no RN e PB pode superar R$ 36 mi, aponta PFDos 13 presos como resultado da operação Higia (realizada pela Polícia Federal no Rio Grande do Norte e na Paraíba), a única pessoa liberada (ontem ainda) foi o funcionário público, Marco Antônio França de Oliveira. Segundo informações extra-oficiais sua liberação ocorreu porque ficou claro que ele não ocupa função ordenadora de despesa. Os presos dormiram em colchonetes em salas do prédio da Polícia Federal. O advogado de Maia explicou que não há como prever quando seu cliente será ouvido porque os depoimentos duram em média 5 horas. O advogado disse acreditar que após o depoimento, a liberação será obtida por meio judicial. O entendimento é que o primeiro habeas corpus, impetrado na noite de sexta-feira, foi negado porque a Polícia Federal ainda não tinha cumprido o objetivo da prisão, ouvir Lauro Maia.Até agora, segundo informações obtidas na sede da Polícia Federal, já foram ouvidos a ex-candidata à vereadora de Natal, Jane Alves de Oliveira (sexa-feira à noite); o empresário Mauro Bezerra e o funcionário da empresa Líder, Luciano de Souza (ontem).   Além deles, as outras pessoas que permanecem presas são a mulher do secretário de Segurança Pública do Estado, Maria Eleonora Lopes de Albuquerque Castim (diretora financeira da Secretaria de Saúde); a procuradora estadual Rosa Maria de Apresentação Figueiredo Caldas Câmara; o secretário-adjunto de Esportes, João Henrique Alves Lins Bahia; o servidor da Procuradoria Geral do Estado, Francenildo Rodrigues Castro; o empresário do grupo Emvipol, Hebert Florentino Gabriel; Anderson Miguel da Silva, da empresa AIG; Francisco Alves de Souza; e Ulisses Fernandes de Barros. Ainda há dificuldade de identificar alguns envolvidos porque a Polícia Federal sequer repassou essas informações à imprensa.   Operação HígiaA operação Higia - em referência à deusa grega - foi deflagrada na última sexta-feira pela Polícia Federal para prender 13 pessoas e cumprir 42 mandados de busca e apreensão. A investigação que provocou a operação pretende desarticular uma quadrilha responsável por desvio de recursos públicos por meio de fraudes em licitações. O golpe estaria sendo praticado dentro da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte.   Segundo a Polícia Federal, a fraude nas licitações resultava em contratação ilícita de serviços de higienização e limpeza. As investigações começaram em 2005. De acordo com a polícia, o pagamento das faturas mensais dos contratos celebrados irregularmente equivale a R$ 2,4 milhões (média). A estimativa é que tenham sido desviados R$ 36 milhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.