Justiça nega habeas-copus a presos em fraude da Petrobras

Pedido foi negado ao pai de Deborah Secco, e a Ruy e Felipe Castanheira

12 de julho de 2007 | 16h24

Nesta quinta-feira, 12, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF) negou habeas-corpus a três presos na Operação Águas Profundas, da Polícia Federal, que descobriu um esquema de fraudes em licitações da Petrobras, na última segunda-feira. Segundo informou a assessoria do TRF, os acusados que continuarão presos são Ricardo Secco, pai da atriz Deborah Secco, Ruy Castanheira e Felipe Pereira das Neves Castanheira, filho de Ruy.Nesta quinta, interceptações telefônicas feitas pela operação mostram indícios de pagamento de propina e referências a investimentos pessoais no exterior - dando a entender que parte do dinheiro obtido com as fraudes em licitações da Petrobras foi enviada para fora. Também há referências a "dízimo de campanha". Em diálogo entre Fernando Stérea e Wladimir Pereira Gomes - donos da empresa Angraporto, apontada como núcleo do esquema de fraudes -, registrado pela PF em 20 de outubro de 2006, Stérea disse que "aquela pessoa" pedia algo relativo "ao dízimo de campanha". "Tecnicamente, não devemos nada", respondeu Gomes. "O cara quer o total e insiste nisso", rebateu Stérea. Saia-justaO escândalo de fraude envolvendo licitações da Petrobrás criou uma saia-justa internacional. Isso porque a estatal integra, a convite da ONU, o conselho executivo do Pacto Global das Nações Unidas - iniciativa que convoca empresas do mundo todo a lutar contra a corrupção "em todas as formas", entre outras bandeiras que defende.A Polícia Federal acredita que a quadrilha desbaratada na segunda-feira, 10, seja a ponta de um esquema ainda maior na Petrobrás e, apesar de a estatal ter afastado os funcionários diretamente envolvidos no escândalo, os problemas não deixam de ser notados na ONU pelos funcionários do Pacto Global. A OperaçãoApós dois anos de investigação, a Polícia Federal desbaratou um esquema de fraudes em licitações para serviços de reparos de plataformas petrolíferas da Petrobrás. Ao todo, 26 pessoas foram denunciadas, incluindo gerentes da estatal, empresários, um agente da PF um ex-deputado. Ao investigar o esquema montado para fraudar licitações da Petrobrás, os agentes federais descobriram também fraudes financeiras em prestações de contas de organizações não-governamentais estaduais.(Colaboraram Jamil Chade e Vannildo Mendes, do Estadão)

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