Justiça Militar pede prisão de 4 envolvidos em mortes no Rio

A Justiça Militar no Riodecretou nesta quinta-feira a prisão preventiva de quatro dos11 homens do Exército acusados de envolvimento na morte de trêsjovens do morro da Providência. Entre eles está o tenenteVinícius Ghidetti, suposto mentor da ação. O Inquérito Policial Militar foi aberto logo após aconfirmação das denúncias e corre paralelamente ao da PolíciaCivil, já concluído e cujo encerramento foi anunciado horasantes pelo delegado Ricardo Dominguez --com pedido das prisõespreventivas de todos 11 militares acusados pelo incidente. Os 11 militares estão presos no Batalhão da PolíciaMilitar, na Tijuca (zona norte da cidade). Dominguez, titular da 4a Delegacia de Polícia (Central doBrasil), indiciou os acusados por homicídio triplamentequalificado, com três agravantes --motivo torpe, forma cruel ecom dificuldade para a defesa das vítimas. "O crime é um só. Todos vão responder porque todos elestinham conhecimento de qual seria o resultado da entrega dosjovens para o Morro da Mineira", disse o delegado ajornalistas. Os três jovens foram abordados no sábado pelos militares noMorro da Providência e foram levados ao Morro da Mineira, ondeforam entregues a traficantes de uma facção rival à dominanteno morro que habitavam. Os corpos dos três foram encontrados nodomingo no aterro sanitário de Gramacho, em Caxias. Os 11 militares acusados de participar da ação estavam noMorro da Providência participando do projeto Cimento Social, dosenador e bispo da Igreja Universal Marcelo Crivella (PRB), emparceria com o Ministério das Cidades. Os militares permaneciam no local apesar de a JustiçaFederal ter ordenado na quarta-feira a saída do Exército domorro, acolhendo pedido da Defensoria da União. Nesta quinta-feira um recurso foi apresentado pelaProcuradoria Regional da União (PRU) ao Tribunal RegionalFederal (TRF) contra a decisão de retirada do Exército. O procurador alegou que "configura grave lesão à ordem e àsegurança pública uma vez que não se trata de questãoenvolvendo segurança pública, mas sim de apoio fundamentado aum projeto social". Na quarta-feira, antes de ter sido anunciada a decisãojudicial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o crimede "abominável", mas disse que a retirada do Exército deveriaser avaliada sem precipitação. A polícia informou ainda que recolheu os celulares dosmilitares, para investigar suspeitas de que eles teriam entradoem contato com traficantes do Morro da Mineira antes dedeixarem os jovens no local. "Sem dúvida, eles tiveram contato previamente. Sem essecontato, os militares não conseguiriam chegar ao Morro daMineira. Eles entraram e saíram sem serem importunados",afirmou Dominguez. "Vamos tentar, através desses celulares, vercomo pode ter sido feito esse contato", acrescentou. (Por Rodrigo Viga Gaier e Maria Pia Palermo)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.