Paulo Ermantino|Raw Image
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Justiça manda soltar manifestantes presos antes de protesto

Polícia prendeu no domingo 27 pessoas antes de protesto contra Temer por estar em ‘atitudes suspeitas’

Ricardo Galhardo e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2016 | 21h56

A Justiça de São Paulo liberou no início da noite desta segunda-feira, 5, 18 manifestantes que foram detidos antes do protesto contra o governo Michel Temer, na capital paulista, no domingo. Segundo a Polícia Militar, ao todo 27 pessoas foram detidas porque estavam em “atitude suspeita”.

A eles foram atribuídos os crimes de associação criminosa, formação de quadrilha e corrupção de menores. Entre os detidos havia adolescentes que portavam equipamentos de proteção, como máscaras e óculos. A PM também diz ter encontrado com o grupo uma barra de ferro, vinagre e um extintor.

Além de determinar a soltura imediata, o juiz entendeu em sua decisão não haver crime na conduta dos manifestantes presos. “As necessárias elementares do tipo de associação criminosa, estabilidade e finalidade de cometimento de delitos, não podem ser simplesmente presumidas pelo fato de os policiais terem encontrado com os averiguados uma barra de ferro, vinagre, material de primeiros socorros, extintor de incêndio e outros objetos, todos de porte lícito”, escreveu o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo.

“O Brasil como estado democrático de direito não pode legitimar a atuação policial de praticar verdadeira ‘prisão para averiguação’. Esse tempo, felizmente, já passou”, escreveu.

Excessos. Em entrevista para rebater as acusações de uso excessivo da força, o comandante do policiamento da Polícia Militar na capital, coronel Dimitrus Fyskaytoris, afirmou que a corporação seguiu o protocolo interno, não cometeu excesso e salvou vidas no protesto de domingo. “Não reconheço excesso. A Polícia Militar seguiu o protocolo”, disse. 

O oficial culpou os manifestantes pelo incidente que ocorreu após o fim do protesto na Estação Faria Lima. Na ocasião, a multidão foi dispersada em meio a bombas de gás lacrimogêneo arremessadas pela polícia. Segundo o coronel, a PM só atuou após pedido de funcionários do metrô. A concessionária ViaQuatro, responsável pela Linha 4 - Amarela, afirma que o pedido foi para organizar o fluxo de passageiros no acesso.

Entre os atingidos pelo gás estavam o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) e o ex-ministro Roberto Amaral. 

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“O Brasil como estado democrático de direito não pode legitimar a atuação policial de praticar verdadeira prisão para averiguação. Esse tempo, felizmente, já passou”, juiz Rodrigo Tellini Camargo​
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