Justiça manda desocupar fazenda Abrahão, em SP

O juiz substituto da 3ª Vara Cível de Taubaté, Cândido Alexandre Munhoz Perez, determinou a reintegração de posse da fazenda Abrahão, em Taubaté, no Vale do Paraíba. O local foi invadido por 205 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) há uma semana.A fazenda é da Cooperativa Agrícola de Cotia. Notificados, os lideres do MST informaram ao oficial de Justiça que não deixariam a área e precisavam de um prazo de 20 dias para a retirada das famílias.Os advogados do MST protocolaram um pedido de suspensão da reintegração imediata da posse da fazenda. A juíza titular da 3ª Vara Cível, Márcia Rezende Barbosa Oliveira, manteve a decisão judicial, mas adiou seu cumprimento, dando aos sem-terra prazo maior para a saída, a ser definido em uma audiência de conciliação.A reunião entre as partes foi marcada para o dia 26 de novembro, às 9h30, na 3ª Vara Cível de Taubaté. Segundo informações dos advogados, representantes do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) participarão da audiência, a pedido da Justiça.Mesmo com a ordem judicial de reintegração de posse, o clima nesta quinta-feira na fazenda ocupada era de tranqüilidade. "Já estamos acostumados com este processo", disse um dos organizadores da ocupação, Valdemir Nascimento.O sem-terra afirmou que as famílias só deixarão a Fazenda Abrahão se tiverem uma nova área para se instalar e que o MST aguarda a vistoria por parte do Incra nas áreas apontadas como improdutivas. "Não pretendemos sair daqui até que o Incra se comprometa a arrumar uma outra área para as famílias ficarem."A área ocupada pelo MST tem 79 hectares e não está na lista das propriedades apontadas como improdutivas pelo movimento. No local são criadas 180 vacas, que produzem cerca de 500 litros de leite por dia. No Vale do Paraíba, o Incra só pode pedir o início do processo de desapropriação de áreas improdutivas com mais de 155 hectares.

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