Justiça levará 273 dias para ouvir testemunhas do mensalão

O prazo dado pelo relator mostra que até maio de 2010 processo ficará restrito aos interrogatórios

Felipe Recondo, de O Estado de S. Paulo,

26 de fevereiro de 2009 | 19h44

A justiça demorará exatos 273 dias úteis para ouvir as mais de 600 testemunhas de defesa arrolados pelos réus da ação penal do mensalão. O prazo dado pelo relator da ação no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, mostra que até aproximadamente maio de 2010, o andamento do processo ficará restrito aos interrogatórios de testemunhas em 18 estados.  Uma das razões da demora é o fato de o STF ter decidido, no ano passado, que as audiências para o interrogatório de testemunhas não podem ser marcadas para a mesma data em estados distintos. A decisão dá tempo para que os advogados dos 39 réus se desloquem de um estado para o outro para acompanhar todos os interrogatórios. Por essa sistemática, as testemunhas que moram em Minas Gerais serão as primeiras a ser ouvidas. Os juízes da 4ª Vara Federal de MG terão 80 dias para interrogar mais de 180 testemunhas de defesa. Somente depois desse prazo, o juiz de Vitória (ES) poderá marcar a audiência para ouvir as duas testemunhas que moram no estado. Os últimos interrogatórios serão das mais de 200 testemunhas que moram em Brasília, em especial de deputados, senadores e ministros arrolados para defender os acusados de participar do esquema do mensalão.  Entre os parlamentares que serão ouvidos como testemunhas estão o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP), a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), os três arrolados como testemunhas de defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.  Os ministros de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, também serão ouvidos pela Justiça do Distrito Federal. Múcio é testemunha de defesa do ex-tesoureiro do PTB Emerson Palmieri; Geddel e Patrus Ananias são testemunhas do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara.  Depois que forem ouvidas todas as testemunhas de defesa, o processo entrará em nova fase. Defesa e acusação poderão pedir a produção de provas, como perícias e requisição de documentos, no prazo de cinco dias. Depois, acusação e defesa apresentarão as alegações finais. A partir daí, o relator da ação poderá liberar o caso para ser julgado no plenário do STF. Joaquim Barbosa estima que precisará de aproximadamente um ano para preparar seu voto. O caso, portanto, só seria julgado em 2011.

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