Justiça impede posse de novo prefeito em Dourados-MS

Por decisão da Justiça, Délia Razuk (PMDB), a única vereadora "ficha limpa" na Câmara Municipal de Dourados, em Mato Grosso do Sul, não pôde assumir a prefeitura da cidade. A cerimônia de posse oficial estava marcada para hoje às 18 horas. Ela não foi indiciada pela Polícia Federal (PF) e tampouco denunciada como ré no processo iniciado pelo Ministério Público Estadual (MPE), no esquema de corrupção denominado "farra das propinas".

JOÃO NAVES DE OLIVEIRA, Agência Estado

20 de setembro de 2010 | 20h23

A prefeita evitou comentar o acontecimento, dizendo apenas que "é preciso trabalhar no sentido de reordenar os poderes legislativo e executivo conforme o que estava fazendo o juiz Eduardo Machado Rocha", que ocupa o cargo há 15 dias. Rocha é diretor do Fórum de Dourados. O preenchimento do cargo de prefeito ainda depende do andamento do processo sobre o caso.

Na semana passada, depois de uma sessão tumultuada onde ocorreram prisões e a Polícia Militar (PM) usou bombas de feito moral para conter a multidão, Délia foi eleita presidente da Câmara Municipal de Dourados. Logo depois de empossada no cargo, solicitou judicialmente o lugar de prefeita.

O pedido de Razuk foi atendido na sexta-feira passada, quando o desembargador do Tribunal de Justiça local (TJ-MS), João Carlos Brandes Garcia, assinou a "medida cautelar 2010.028125-4", cancelando a nomeação do magistrado.

Dos 12 vereadores que formam o poder legislativo de Dourados, 11 foram denunciados como réus pelo MPE. Entre eles está o ex-presidente da Câmara, Sidlei Alves (PT), que renunciou ao cargo. O vice-prefeito da cidade, Carlinhos Cantor (PR), está preso na penitenciária local.

Cantor não renunciou ao cargo e tampouco foi afastado pelo TJ-MS, como aconteceu na semana passada com o prefeito Ari Artuzi (sem-partido). A exemplo dos 11 vereadores que estão sendo processados por corrupção, formação de quadrilha e direcionamento de licitações públicas, o vice-prefeito tem pleno direito de voltar ao cargo. A situação poderá ser normalizada quando o TJ-MS receber pedido do MPE pedindo o afastamento de todos os envolvidos no esquema de corrupção.

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