Justiça gaúcha quebra sigilo de petistas

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul atendeu ao apelo da CPI da Segurança Pública e concedeu a quebra ampla do sigilo bancário, telefônico e fiscal das empresas e pessoas investigadas pelos parlamentares. O desembargador Aristides Pedroso de Albuquerque Neto reviu a decisão do juiz Humberto Sudbrach, que na semana passada só havia aceito a quebra do sigilo telefônico do ex-chefe de Polícia, Luis Fernando Tubino. Agora, os deputados terão acesso às declarações de Imposto de Renda e à movimentação bancária do delegado, do ex-tesoureiro do PT, Jairo Carneiro, do Clube de Seguros da Cidadania (entidade ligada ao PT), de seus diretores Diógenes de Oliveira e Daniel Verçosa, e das empresas dos petistas."Não cabe ao Judiciário restringir o âmbito da investigação parlamentar sob o argumento de que são alheias ao objeto da CPI", afirma o desembargador do TJ em seu despacho. O interesse dos deputados pelas contas dos petistas surgiu como resultado de denúncias de que o governo do Estado e o PT teriam recebido dinheiro do jogo do bicho. O ex-tesoureiro do PT, por exemplo, chegou a procurar jornalistas do Diário Gaúcho para dizer que a sede estadual do partido havia sido adquirida em 1998 pelo Clube com doações de bicheiros, mas no depoimento à CPI negou a informação, alegando que havia mentido para se vingar. Ele foi expulso do PT por ter desviado R$ 37 mil da tesouraria. "Estou arrependido e até envergonhado", diz Carneiro.Os líderes do PT atribuem todas as denúncias da CPI a uma campanha orquestrada pela oposição e por setores da polícia que estão sendo investigados pelo governo, inclusive por suas ligações com bicheiros. O secretário de Justiça e Segurança, José Paulo Bisol, assumiu prometendo "limpar" a polícia, e tem criado muitas inimizades no interior da corporação. A CPI foi criada para investigar a situação da segurança pública, mas aos poucos foi se desviando para outros assuntos, como o bicho e os jogos ilícitos. Os parlamentares têm mais 78 dias para encerrar as investigações.

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