Justiça francesa tenta interrogar família Maluf

Uma equipe de representantes da Justiça francesa está no Brasil levantando informações a respeito de movimentações financeiras em nome do deputado eleito Paulo Maluf (PP-SP) e de sua mulher, Sylvia Maluf, em duas instituições financeiras da França. Uma das missões da equipe era ouvir na segunda-feira o deputado eleito e sua mulher. Mas essa tarefa não foi cumprida. Os oficiais de Justiça não conseguiram localizar o ex-prefeito. Está marcado para esta terça-feira o interrogatório do filho de Maluf, Flávio Maluf, e de sua mulher, Jacqueline Maluf, esta última como testemunha. Até o próximo dia 19, Maluf será diplomado como deputado, passando a ter foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal (STF). A diplomação dificultará investigações envolvendo o ex-prefeito, no Brasil e no exterior. Para que Maluf seja ouvido, o Supremo terá de autorizar. Maluf já foi preso - ficou 41 dias numa cela federal -, é réu em ação de improbidade administrativa, mas obteve o primeiro lugar na lista dos mais votados à Câmara nas eleições de outubro, com 738 mil votos. Todos os processos e investigações contra o ex-prefeito também serão remetidos ao STF após a diplomação. O advogado de Maluf no caso, José Roberto Leal, informou que na segunda-feira um oficial de Justiça foi ao escritório do ex-prefeito na tentativa de localizá-lo. Segundo Leal, Maluf está em Campos do Jordão e sequer foi intimado para o interrogatório. Por isso, não compareceu. A investigação sobre as movimentações de Maluf está sendo conduzida pela Procuradoria da República do Tribunal de Grande Instância de Paris, em um inquérito sigiloso. STJ No dia 25 de outubro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou que os investigadores franceses tivessem acesso aos autos de todas as investigações existentes envolvendo Maluf, bem como o seu interrogatório, junto com familiares. O Estado teve acesso ao despacho, assinado pelo ministro Barros Monteiro. Entre outras coisas, o STJ autorizou os investigadores franceses a consultar documentos apreendidos, transcrições de interrogatórios e quaisquer outros elementos de prova contidos nos inquéritos contra Maluf, bem como tirar cópias dos documentos que considerar relevantes. Os investigadores também terão acesso às movimentações financeiras da conta de Sylvia Maluf no Banco de Crédito Nacional, agência Jardim Europa, no período de junho de 2000 a julho de 2003. Conforme o despacho do ministro Barros Monteiro, os advogados de Maluf tentaram evitar a investigação. Eles alegaram irregularidade no trâmite do pedido das autoridades francesas, necessidade de tradução dos documentos por tradutor juramentado e insegurança jurídica em virtude da abrangência do pedido de quebra do sigilo bancário do ex-prefeito, entre outras alegadas ilegalidades. Os argumentos não foram aceitos.

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