Justiça Federal suspende um dos processos contra Cacciola

A juíza da 5a Vara Federal Criminaldo Rio de Janeiro, Simone Schreiber, determinou a suspensão deum processo contra o banqueiro Salvatore Cacciola por crimecontra o sistema financeiro, segundo nota divulgada nestasexta-feira pela Justiça Federal fluminense. A juíza, no entanto, manteve a prisão preventiva dobanqueiro, que atualmente se encontra no presídio de Bangu 8. De acordo com a nota, a medida atende a um pedido da defesade Cacciola, extraditado para o Brasil desde Mônaco no últimodia 17 de julho. "A defesa de Cacciola pleiteou a suspensão do processoalegando que sua extradição foi deferida pelo Principado deMônaco sob a condição de que ele não fosse processado no Brasilpor outros fatos que não aqueles considerados no processocriminal com base no qual foi requerida sua extradição",informou o comunicado. A extradição de Cacciola ocorreu com base em um processoque tramita contra o banqueiro na 6a Vara Federal Criminal doEstado, por crime de gestão fraudulenta. Além de suspender o processo, a juíza Schreiber adiou aaudiência marcada para esta sexta-feira com Cacciola, atendendoa um pedido de sua defesa e do Ministério Público Federal doRio de Janeiro. O MPF-RJ disse, por meio de sua assessoria de imprensa, queainda não foi oficialmente comunicado da suspensão do processo.E que, no entender da Procuradoria, "o processo está válido eCacciola legalmente é réu". Segundo a assessoria, "para que Cacciola continuerespondendo a outros processos no Brasil (além do que tramitana 6a Vara Federal Criminal), é preciso que o Ministério daJustiça faça um pedido de extensão a Mônaco", incluindo noacordo de extradição do banqueiro os demais processos a que obanqueiro responde no Brasil. Além dos processos que correm na 5a e na 6a varas, Cacciolaé processado na 2a Vara Criminal Federal do Rio por emissão dedebentures sem lastro. O escândalo envolvendo Cacciola ocorreu em 1999, durante oprocesso de desvalorização do real, quando o Banco Centralsocorreu os bancos Marka e FonteCindam, com 1,6 bilhão dereais. O BC justificou na época a ajuda às duas instituiçõescomo uma medida para evitar um possível risco sistêmico para omercado financeiro do país. (Por Fabio Murakawa; edição de Alexandre Caverni)

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