Justiça Federal estuda seqüestro de bens de Jader

A Justiça Federal de Tocantins poderá decretar o seqüestro e a hipoteca legal dos bens do ex-presidente do Senado, Jader Barbalho, e de outras oito pessoas acusadas de envolvimento nas fraudes da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Neste caso, os bens, por causa da hipoteca legal, seriam administrados pela própria Justiça, até que seja dada sentença no processo. O pedido de seqüestro foi feito, no final desta tarde, pelo Ministério Público Federal, e não atinge apenas os imóveis do ex-senador, mas também suas participações acionárias em empresas e até mesmo veículos. Com isso, Jader só terá à sua disposição o apartamento onde reside atualmente.A medida, que poderá ser o mais duro golpe contra Jader após sua prisão, na semana passada, atinge também o ex-superintendente da Sudam, José Artur Guedes Tourinho; o ex-prefeito de Altamira, Laudelino Délio Fernandes; os irmãos José Soares Sobrinho, Romildo Onofre e Sebastião Soares, além dos contadores Maria Auxiliadora Barra Martins e Geraldo Pinto da Silva, que transitavam entre empresários e a Sudam, para a liberação de recursos. Na ação, pede-se o seqüestro, ainda, dos bens de Regivaldo Pereira Galvão, agiota de Altamira, e Ronaldo Soares, filho de José Soares Sobrinho.Segundo fontes do Ministério Público Federal, a medida é uma forma de garantir que, após o final do processo contra Jader - aberto nesta semana - os acusados devolvam aos cofres públicos os recursos desviados do Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam), utilizados irregularmente nos projetos da Sudam.Na declaração de renda do ex-presidente do Senado, seus bens imóveis - oito casas, apartamentos e prédios e três fazendas - estão avaliados em R$ 1,6 milhão, enquanto que os bens móveis - ações de uma fazenda, de três rádios, de uma emissora de televisão, de uma gráfica e do Jornal Diário do Pará - estão calculados em torno de R$ 997 mil, perfazendo um total de R$ 2,6 milhões. O patimônio total de todas as pessoas que poderão ter os bens seqüestrados chega a R$ 47 milhões.A ação do MPF afirma que o grupo, além de outras pessoas que não foram atingidas pela ação, foi responsável pelo desvio de R$ 132 milhões, em 20 projetos da Sudam na região da Transamazônica, principalmente em Altamira, um dos redutos eleitorais do ex-senador.

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