Justiça faz primeira audiência do mensalão mineiro

Processo investiga suposto esquema de financiamento ilegal em campanha eleitoral em 1998; empresário Marcos Valério não compareceu

Marcelo Portela, de O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 20h08

A Justiça estadual de Minas Gerais fez nesta quinta-feira, 24, a primeira audiência de instrução do processo sobre o esquema que ficou conhecido como mensalão mineiro. Ao todo, 12 testemunhas deveriam prestar depoimentos, sendo que nove delas já haviam sido ouvidas no início da noite. O procedimento não tinha hora para terminar. Na ação, dez pessoas são acusadas de desviar, em 1998, R$ 3,5 milhões de estatais mineiras para financiar a campanha à reeleição do então governador do Estado e atual deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB). Segundo o Ministério Público, os recursos foram desviados sob o manto de patrocínio a eventos esportivos.

Entre os réus estão o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza - que não compareceu à audiência - e o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, que chegou ao Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, sem dar declarações. Azeredo também é acusado de envolvimento no esquema, mas responde a processo no Supremo Tribunal Federal (STF) porque tem foro privilegiado, assim como senador Clésio Andrade (PR-MG), que também era réu na Justiça estadual, mas teve o processo desmembrado.

Nem todas as testemunhas arroladas pelo Ministério Público compareceram à audiência. Foi o caso do ex-presidente da Companhia de Saneamento (Copasa), Ruy José Vianna Lage, de 82 anos. Ele disse que recebeu ordem (por escrito) para repassar R$ 1,5 milhão da estatal para a SMPB de Valério, apesar de a conta da empresa pertencer a outra agência de publicidade. Ele confirmou as informações em depoimento prestado na Justiça Federal em Minas, no processo que tramita contra Azeredo, mas hoje alegou problemas de saúde.

Entre as testemunhas ouvidas na audiência estavam pessoas próximas de Azeredo, como o ex-deputado estadual Amílcar Vianna (PSDB), além de profissionais que prestaram serviços durante a campanha do ex-governador. Foi o caso do empresário do ramo de produção de shows Roberto Gontijo, que confirmou à juíza Neide da Silva Martins, da 9ª Vara Criminal do Fórum Lafayette, ter recebido R$ 350 mil durante a campanha, mas alegou que os recursos eram legais.

Também são réus no processo o ex-secretário de estadual de Comunicação, Eduardo Guedes; o ex-presidente do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) José Afonso Bicalho; os ex-sócios de Valério nas agências de publicidade DNA e SMPB, Cristiano de Melo Paz e Ramon Hollerbach Cardoso; o ex-tesoureiro da campanha de Azeredo e ex-secretário de Administração, Cláudio Mourão; o ex-diretor da Copasa Fernando Moreira Soares; e os ex-diretores da Companhia Mineradora (Comig) - atual Codemig - Lauro Wilson de Lima Filho e Renato Caporali Cordeiro.

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