Justiça está de joelhos diante do MST, diz fazendeiro

Cleudir Macedo criticou demora da Justiça em fazer reintegração de posse após invasão em sua fazenda

José Maria Tomazela, de O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2008 | 18h35

O fazendeiro Cleudir Macedo, dono da Fazenda Iara, em Euclides da Cunha Paulista, no Pontal do Paranapanema, que teve um filho preso após conflito com integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST), no último sábado, criticou a demora da justiça em fazer cumprir a reintegração de posse da área invadida. "A justiça e a sociedade estão de joelhos diante do MST", afirmou. O mandado para a retirada dos invasores está desde o dia 14 nas mãos de um oficial de justiça. O confronto, em que o sem-terra Márcio Fernandes, de 41 anos, foi ferido com um tiro na perna, ocorreu na madrugada do dia 16.  "Se a justiça tivesse agido com rapidez, nada teria acontecido." O advogado Rodrigo Macedo, filho do fazendeiro, e o empregado da fazenda Lucivaldo Vialli, acusados pelos sem-terra de terem feito os disparos, continuavam presos ontem na Cadeia Pública de Presidente Venceslau. Por ser advogado, Rodrigo estava em cela especial. A fazenda foi invadida durante o carnaval vermelho, do líder José Rainha Júnior. No último sábado, os sem-terra decidiram invadir também a sede da propriedade. "Eles cercaram a casa encapuzados e alguns amigos da família que estavam lá tiveram de fugir." Avisado, o filho do fazendeiro foi até o local para negociar a não invasão da sede. "Ele queria que os sem-terra ficassem no local onde tinham entrado, perto de uma área de reserva, pois já havia uma reintegração de posse."   O próprio Rodrigo era autor no pedido de reintegração, cuja liminar havia sido concedida pelo juiz de Euclides da Cunha Paulista. De acordo com Cleudir, o filho e o empregado foram recebidos a tiros pelos sem-terra. "Eles atiraram para o alto e depois renderam os dois e mantiveram em cárcere privado. Além disso tomaram as bebidas que tinha na casa." Quando a Polícia Militar chegou, segundo o fazendeiro, os sem-terra deram a versão de que Rodrigo havia atirado. "Eles puseram balas de revólver nos bolsos do empregado." Nos depoimentos, os policiais relataram ter visto sem-terra encapuzados. "Se estavam lá com fins pacíficos, como disseram, por que estavam encapuzados?" Cleudir, que também é advogado, disse que os sem-terra contaram à polícia que invadiram a fazenda por ordem de José Rainha. "Não entendo porque esse homem, que tem várias condenações, não é preso. Por que se ajoelham diante de um facínora?"   Cleudir pediu o relaxamento da prisão dos acusados, mas o juiz do plantão judiciário negou. "Estou aguardando o prazo para reiterar o pedido, caso contrário recorrerei ao tribunal", afirmou. O conflito gerou um clima de tensão no Pontal, onde seis das 19 fazendas invadidas pelos sem-terra desde a semana do carnaval continuavam ocupadas na manhã de ontem. José Rainha contestou a versão do fazendeiro. "O filho do dono chegou lá atirando, atingiu um acampado e o pessoal apenas o dominou e entregou para a polícia.". Rainha disse que as liminares de reintegração de posse estão sendo atendidas. Segundo ele, o que ocorreu na Fazenda Iara foi um fato isolado.   A Justiça tinha determinado a desocupação da fazenda, mas, de acordo com o líder, os sem-terra não tinham sido notificados pelo oficial de justiça. "Essa idéia de fazer o despejo na marra já é uma coisa superada pela maioria dos fazendeiros." Segundo ele, todas as invasões foram "ordeiras" para evitar que houvesse acirramento nos ânimos. "As pessoas não quebraram, não roubaram e não fizeram nada além da ocupação pacífica." A Iara tem 550 hectares e 800 cabeças de gado. De acordo com Rainha, a propriedade faz parte de uma área maior, em processo de desapropriação para a reforma agrária. "As terras foram vistoriadas, mas não houve acordo sobre o pagamento." O fazendeiro, no entanto, alega que a fazenda foi julgada particular, o que dificulta eventual desapropriação. "Ele sabe disso, por isso está nos apertando."

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